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Investigação sobre ‘Abin Paralela’ é mais política do que jurídica, diz Alexandre Ramagem
Investigação sobre ‘Abin Paralela’ é mais política do que jurídica, diz Alexandre Ramagem
Por Lorenna Rodrigues/Caio Spechoto/Estadão
30/07/2024 às 17:40
Atualizado em 30/07/2024 às 17:40
Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados/Arquivo

O deputado federal e candidato a prefeito do Rio de Janeiro pelo PL, Alexandre Ramagem, disse em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo que o inquérito que investiga a suposta montagem de uma “Abin paralela” para espionar adversários do ex-presidente Jair Bolsonaro quando ele, Ramagem, estava à frente do órgão é “político”.
“As investigações só vieram à minha pessoa após eu ter colocado o nome como pré-candidato”, afirmou. “Estou vendo que se trata muito mais de uma investigação política do que jurídica”.
A investigação apura suposto uso ilegal de um aplicativo espião, o First Mile, para monitorar pessoas de interesse de Jair Bolsonaro, entre outros pontos. O deputado disse que detectou possíveis desvios no uso do First Mile quando era diretor da Abin e agiu para corrigi-los. “Exoneramos um diretor, encaminhamos à corregedoria para as providências cabíveis”, afirmou.
Ao investigar o caso, a Polícia Federal teria descoberto orientações do hoje deputado federal Ramagem para o então presidente Bolsonaro sobre como promover a desconfiança sobre as urnas eletrônicas. Questionados pela reportagem se questionará o sistema de votação ao longo da campanha, ele afirmou que pode haver judicialização sobre esse tema - ainda que tenha dito que não pretende ir à Justiça discutir o assunto.
A entrevista faz parte de uma série feita pelo jornal com os candidatos e pré-candidatos a prefeito mais bem posicionados nas pesquisas nas principais capitais do Brasil. No caso do Rio de Janeiro, o nome do Psol para disputar a prefeitura, Tarcísio Motta, já foi entrevistado. Falta o atual prefeito, Eduardo Paes (PSD), que tentará reeleição e já foi convidado a participar da série.
Urnas eletrônicas
Na entrevista, Ramagem disse que não enviou o conteúdo que levanta dúvidas sobre a lisura das urnas eletrônicas ao então presidente. “É uma opinião privada dentro do computador, é de cada um”, declarou à reportagem.
O Estadão perguntou se ele confia nas urnas eletrônicas e se ele reconhecerá o resultado da eleição para prefeito qualquer que seja, mas ele não respondeu diretamente ao questionamento. “Sempre me manifestei que nós devemos aprimorar os sistemas”, disse Ramagem. “Tem que ser aprimorado pelas melhores tecnologias, melhores sistemas de apuração”, alegou.
“No decorrer da eleição, há todos os questionamentos a candidatos e questionamentos judiciais. No decorrer das eleições, todo sistema pode ser judicializado, questionado as medidas que estão sendo colocadas. Isso é natural em uma democracia”, declarou o candidato. Questionado, ele negou que pretenda questionar os resultados. “Não estou pensando nisso, estou pensando em ganhar as eleições”, garantiu.
Ramagem comentou ainda sobre a reabertura da bolsa de valores na cidade e os incentivos para que isso aconteça e pontou que devem ir além de vantagens no ISS, oferecidas pelo atual prefeito, Eduardo Paes (PSD).
O candidato do PL também criticou a forma como Paes está conduzindo o processo de reabertura da bolsa. “Tem que ser tratado com seriedade. Não com o vídeo que ele fez, parecia uma chacota, brincando”, declarou. Ele se refere a Paes ter ironizado a Faria Lima, região que concentra o mercado financeiro de São Paulo.
Ramagem também se mostrou favorável à concessão de benefícios fiscais para atrair para o Rio de Janeiro empresas em outras áreas da economia. “[Temos de] trazer o comércio e a indústria de volta, que está indo muito para São Paulo e para o interior de Minas. Até o turismo corporativo foi para São Paulo, temos que trazê-lo de volta, e fazer os incentivos devidos para cada setor”, declarou o candidato a prefeito.
Estádio do Flamengo
Ramagem também contestou Eduardo Paes pela desapropriação de um terreno no Gasômetro, na zona portuária da cidade, para a construção de um novo estádio para o Flamengo. “Eu acredito que isso é uma prática de véspera de campanha. Que envolve a torcida do Flamengo, a maior torcida do Brasil. Eu não sou contra, gostaríamos de ajudar muito o Flamengo e outros clubes a se desenvolverem”, disse o deputado federal.
“A desapropriação pode ter tantos problemas, foi anunciada só para fazer uma campanha eleitoral, já que pode haver judicialização”, disse Ramagem. “A direção do Flamengo quer ter seu estádio, o torcedor do Flamengo quer ter seu estádio, me parece que o prefeito está se utilizando disso para sua campanha eleitoral. É algo que não vai se resolver facilmente”, declarou. “Acredito que conosco vamos resolver de forma muito mais fácil e efetiva um estádio para o Flamengo”, rebateu.
Ramagem aparece com porcentuais entre 7% e 13% nas últimas pesquisas de intenção de voto. Os levantamentos mostram Paes com chances de ganhar no primeiro turno. Uma das apostas da campanha do deputado federal é a associação com a imagem de Bolsonaro. Segundo Ramagem, o ex-presidente “tem trabalhado bastante” na campanha. “A gente acredita que ele volta ainda no primeiro turno, com toda certeza, em mais uma ou duas oportunidades”, disse o candidato do PL.
