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Indicados por Lula citaram 'custo reputacional' de descumprir sinalização sobre juros, mostra ata do Copom

Indicados por Lula citaram 'custo reputacional' de descumprir sinalização sobre juros, mostra ata do Copom

Por Nathalia Garcia/Folhapress

14/05/2024 às 09:24

Atualizado em 14/05/2024 às 09:24

Foto: Leonardo Sá/Arquivo/Agência Senado

Sede do Banco Central do Brasil

O descumprimento da sinalização antecipada sobre o ritmo de corte de juros dividiu o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, mostrou ata publicada nesta terça-feira (14).

Os quatro diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) citaram o "custo reputacional" da mudança de estratégia traçada no encontro de março, que previa repetir um corte de 0,5 ponto percentual —na reunião de 8 de maio, o corte decidido foi menor, de 0,25 ponto, levando a taxa básica (Selic) a 10,50% ao ano.

"Tais membros discutiram se o cenário prospectivo divergiu significativamente do que era esperado a ponto de valer o custo reputacional de não seguir o guidance, o que poderia levar a uma redução do poder das comunicações formais do comitê", disse.

Para a ala minoritária, o ideal seria manter o plano de cortar a Selic em 0,5 ponto percentual e, em paralelo, reafirmar o firme compromisso do BC com o atingimento da meta de inflação. Na visão do grupo, uma redução desse tamanho ainda manteria a política monetária suficientemente contracionista, ou seja, em patamar adequado para frear a inflação.

A meta de inflação definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) e perseguida pelo BC neste e nos próximos anos é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o objetivo é considerado cumprido se oscilar entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto).

"Ressaltaram que a extração da tendência subjacente da dinâmica inflacionária em um ambiente incerto é difícil, mas não deveria, de forma alguma, ser confundida com leniência com relação aos indicadores divulgados no período, em particular as expectativas de inflação", afirmou.

A minoria enfatizou a necessidade de flexibilidade das decisões nas reuniões a partir de junho, permitindo calibrar a trajetória dos juros de forma apropriada. Com isso, o Copom abandona prática adotada desde o início do ciclo de afrouxamento monetário, em agosto do ano passado, ao deixar de antecipar seus passos futuros.

Na última quarta-feira (8), o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, de 10,75% para 10,50% ao ano, em uma decisão com placar dividido por 5 votos a 4.

A ala majoritária – que teve o voto do presidente do BC, Roberto Campos Neto, como decisivo para desacelerar o ritmo de queda dos juros– era composta por diretores indicados ou reconduzidos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Já os quatro indicados pelo presidente Lula votaram por um novo corte de 0,50 ponto, o que preservaria sinalização dada pelo próprio colegiado do BC no encontro anterior, em março. Na ala minoritária, está Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária, favorito na disputa para ser o próximo chefe da instituição.

Em defesa do corte de juros menor, a ala majoritária considerou que houve mudança no cenário esperado em função da piora adicional das expectativas, da elevação das projeções de inflação, do ambiente internacional mais desfavorável e da força da atividade econômica.

A maioria ressaltou também que a orientação indicada na reunião anterior "sempre foi condicional".

"Tais membros ressaltaram que muito mais importante do que o eventual custo reputacional de não seguir um guidance, mesmo que condicional, é o risco de perda de credibilidade sobre o compromisso com o combate à inflação e com a ancoragem das expectativas", disse.

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