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Se incerteza continuar alta, BC tem de trabalhar no ritmo de cortes, afirma Campos Neto

Se incerteza continuar alta, BC tem de trabalhar no ritmo de cortes, afirma Campos Neto

Por Marianna Gualter e Cícero Cotrim/Estadão Conteúdo

22/04/2024 às 12:52

Atualizado em 22/04/2024 às 17:31

Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reiterou nesta segunda-feira, 22, que devido ao cenário de incerteza há agora alguns cenários possíveis para os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom). "Se a incerteza diminuir, voltamos para a forma de atuação que tínhamos começado Outra forma é o aumento da incerteza ficar mais tempo e criar ruídos crescentes, então teremos que trabalhar como seria o 'pace' [ritmo], teríamos que diminuir o 'pace'", disse, em participação em evento da Legend Capital, em São Paulo.

E acrescentou: "Outro cenário seria o crescimento da volatilidade da incerteza subir mais ainda e começar a afetar o balanço de riscos. Em outro cenário, chega um ponto em que muda as variáveis de tal forma que faz com que a realidade que projetamos não seja mais verdadeira, muda o que chamamos de cenário base."

Campos Neto defendeu que a visibilidade dos próximos passos da autarquia aumenta a eficiência do canal de transmissão da política monetária, mas que isso tem que ser feito quando de fato há visibilidade. "Se quiser passar visibilidade quando não tem, o que acontece é que dará um guidance e terá que trocar."

O presidente do BC repetiu que o guidance foi alterado de duas para uma reunião devido ao entendimento de que há mais incerteza na conjuntura atual. Ele acrescentou que, ao falar sobre os cenários possíveis agora, o objetivo é mostrar uma gradação do que pode ocorrer, a fim de dar mais transparência à política monetária. "Não temos como dar um guidance porque temos muita incerteza", frisou.

Câmbio

Campos Neto repetiu que a autarquia só vai intervir no câmbio se houver problemas relacionados a uma distorção do mercado, mas não por uma mudança no valor do real decorrente de alteração nos fundamentos. "Se tiver uma percepção de que o risco piorou, o câmbio vai refletir", disse o presidente do BC.

Ele repetiu que uma intervenção excessiva no câmbio pode levar a um aumento dos juros longos, já que investidores tendem a procurar outros intrumentos para fazer hedge.

E acrescentou que o câmbio flutuante serve como amortecedor para o País, que tem grandes reservas em dólar, porque, quando a moeda americana se valoriza, a dívida líquida cai.

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