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Veto causa indisposição com Congresso no início do ano legislativo, diz relator da LDO

Veto causa indisposição com Congresso no início do ano legislativo, diz relator da LDO

Por Danielle Brant/Folhapress

03/01/2024 às 20:47

Atualizado em 03/01/2024 às 20:47

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias, o deputado Danilo Forte (União-CE)

Relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias, o deputado Danilo Forte (União-CE) afirma que os vetos do presidente Lula (PT) a dispositivos da LDO provocam uma indisposição do governo com o Congresso Nacional já no início do ano legislativo e vê descumprimento de acordos firmados com o Parlamento.

"Eu discuti exaustivamente com os segmentos do governo essa LDO", afirma. "Recebi ligações de vários colegas parlamentares e líderes partidários, todos preocupados com essa postura que o governo teve, depois de ter conduzido um acordo explícito da Comissão de Orçamento".

Segundo ele, o único item que tinha ficado de fora do acordo era o cronograma para pagamento de emendas, sobre o qual o governo não se posicionou.

"Eu acho que ficou todo mundo um pouco atônito com a forma como veio esse contingenciamento", diz. "Acredito que isso vai dar uma partida já no debate político muito acirrada no Congresso Nacional, e acredito que não é bom para o governo, e muito menos para o Congresso Nacional essa indisposição já na partida do início do debate legislativo."

Forte afirma ter percebido "desejo muito grande da derrubada dos vetos" por parte de colegas e diz que há uma pressão para que o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), convoque logo no início do ano legislativo uma sessão do Congresso para debater os vetos à LDO.

O deputado também vê um descompasso entre a coordenação política e o corpo técnico do governo em relação aos vetos. "O Rui Costa [ministro da Casa Civil] não estava em Brasília, o [ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre] Padilha estava focado nessa coisa das emendas, do desempenho, o próprio [ministro da Fazenda, Fernando] Haddad focado nessa questão da desoneração [da folha de pagamento", avalia Forte.

"Acho que isso abriu espaço para que o corpo técnico do governo, que é muitas vezes mais radical do que a área política, tenha se insurgido dessa forma contra a LDO, ignorando os acordos que foram construídos."

Já o veto ao artigo que proibia gasto com ações "tendentes a desconstruir o conceito de família", fruto de emenda do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), não tem a mesma reação do relator. Na opinião de Forte, o assunto "não é uma matéria da LDO".

"Ela é uma matéria mais focada na questão de costumes e comportamentos da sociedade, e todas as arguições que ali são levantadas, inclusive, são atividades ilegais. Da forma como está ali colocado o texto, ela já é uma redundância, porque o dinheiro público não pode financiar atividades ilegais no país".

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