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Lindbergh diz que manutenção da meta de déficit zero é ‘burrice política”

Lindbergh diz que manutenção da meta de déficit zero é ‘burrice política”

Por Vera Rosa/ Estadão

02/01/2024 às 19:00

Atualizado em 02/01/2024 às 19:00

Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ)

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) disse que a manutenção da meta de déficit zero na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) foi uma “burrice” porque, com isso, o governo contratou uma crise para março, quando apresentará o relatório bimestral de avaliação das receitas e despesas.

“Foi uma burrice política grande não ter alterado a meta de déficit zero agora em dezembro, na votação da LDO”, afirmou o deputado à reportagem. “Todo mundo sabe que essa meta não é factível. Agora, no final de março, vai ter contingenciamento e cortes grandes no orçamento. E para mudar essa meta, em abril, haverá um custo político enorme. Empurramos com a barriga e contratamos uma crise sem precedentes”.

Lindbergh fez as afirmações ao mostrar contrariedade com a entrevista de Haddad ao jornal O Globo, na qual ele criticou a última resolução política do PT. O documento chama a meta de déficit zero para 2024 de “austericídio fiscal”.

“Não dá para celebrar Bolsa, juros, câmbio, emprego, risco-país, PIB que passou o Canadá, essas coisas todas, e, simultaneamente, ter a resolução que fala “está tudo errado, tem que mudar tudo”, disse Haddad. Questionado, o ministro afirmou que o presidente Lula deve ser candidato à reeleição em 2006. Observou, no entanto, que, depois dessa data, a questão estará posta.

O assunto esquenta o debate político no PT porque, se Lula não disputar novo mandato, Haddad é um nome cotado para o Planalto. Mas há muitos outros no PT, inclusive o da presidente do partido, Gleisi Hoffmann. Caso o presidente concorra à reeleição, a briga será apenas arquivada, mas ressurgirá em 2030.

O problema é que, a partir de agora, o governo Lula só terá dois caminhos para tratar do resultado das contas públicas: ou mexer na meta fiscal ou fazer um contingenciamento de despesas neste ano de eleições municipais. “O déficit zero inviabiliza o PAC”, destacou Lindbergh, numa referência ao novo Programa de Aceleração do Crescimento, vitrine do governo Lula.

Em outubro, durante café da manhã com jornalistas, no Palácio do Planalto, o presidente disse que a meta fiscal não precisaria ser zero. Na ocasião, Lula admitiu que esse resultado “dificilmente” seria atingido, mesmo porque ele não começaria o ano fazendo corte de bilhões em investimentos. No seu diagnóstico, a meta poderia ficar com um rombo entre 0,25% a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Haddad, porém, convenceu o presidente de que mudar tudo, àquela altura, não apenas soaria como um recuo no ajuste das contas como atrapalharia as votações no Congresso para aumentar a arrecadação federal.

“Não temos nada contra Haddad nem dissemos que tudo está errado, mas que existem preocupações, existem. E elas são legítimas”, insistiu Lindbergh. “O governo já mandou uma proposta orçamentária apertada, a Câmara avançou, o investimento caiu ainda mais e agora haverá contingenciamento.”

Para o deputado, trata-se de “uma bomba” que vai cair no colo de Haddad e do governo Lula justamente num ano em que o PT precisa eleger mais prefeitos e se preparar para o confronto de 2026 com o bolsonarismo.

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