Campanha Janeiro Branco: TJ-BA incentiva reflexões sobre saúde mental
Por Redação
02/01/2024 às 12:45
Atualizado em 02/01/2024 às 12:45
Foto: Divulgação

Em um mundo onde as pressões cotidianas e desafios variados se entrelaçam, a atenção à saúde mental torna-se mais urgente do que nunca. Diante disso, o Tribunal do Estado da Bahia (TJ-BA), presidido pelo desembargador Nilson Soares Castelo Branco, por meio da Secretaria de Gestão de Pessoas (Segesp) e da Diretoria de Assistência à Saúde (DAS), com vistas à promoção da Campanha do Janeiro Branco, traz o seguinte questionamento: Você sabe como está sua saúde mental?
A psicóloga Clínica e servidora da Coordenação de Saúde Ocupacional (Cosop) do TJ-BA, Taiane Souza Lucas, compartilhou um artigo abordando estratégias de prevenção e o exercício da metacognição, buscando desmitificar estigmas relacionados a saúde mental. O TJ-BA mantém o e-mail [email protected] como canal de comunicação e agendamento de acolhimento psicológico.
Saúde mental e o exercício da metacognição
por Taiane Souza Lucas
A Campanha do aneiro Branco tem o intuito de alertar a população sobre a necessidade de cuidar da saúde mental, bem como disseminar maiores informações sobre a prevenção e tratamento dos transtornos mentais.
Estar com a saúde mental preservada não significa a ausência de conflitos, dificuldades ou emoções desagradáveis, mas sim, a capacidade de lidar com esses eventos sem acarretar prejuízos à afetividade (estado de humor, regulação emocional), à cognição (incluindo organização das ideias, atenção) ou às demais funções psíquicas e processos biológicos como o sono, apetite, dentre outros.
A metacognição é um importante recurso para cuidado da saúde psíquica. Esta prática consiste em observar e monitorar o conteúdo dos pensamentos, a fim de avaliar sua veracidade, benefício e identificar as emoções e comportamentos desencadeados por eles. Por meio desse exercício é possível reconhecer interpretações distorcidas da realidade como a “polarização”, que se baseia em enquadrar situações em apenas duas categorias como por exemplo “sucesso ou fracasso”, não conseguindo visualizar as inúmeras possibilidades existente entre esses dois polos.
A metacognição permite que o indivíduo consiga ter maior clareza de que o sofrimento, com muita frequência, é provocado por meras suposições, baseadas em sua história de vida, que não correspondem à realidade concreta e não encontram embasamento nos fatos, a exemplo de previsões negativas de situações temidas. Ademais, o pensamento emocional dificulta uma análise dos aspectos racionais, o que mantém o aprisionamento em torno de certas ideias que seriam momentâneas.
Em muitos casos, o registro dos pensamentos se torna fundamental para que possamos perceber seus efeitos sobre nossas atitudes e desenvolver estratégias efetivas para tratar cada cenário. É primordial a aceitação do pensamento como algo passageiro, e apesar de não ter controle sobre seu surgimento, é possível reestruturá-lo de acordo com os dados da circunstância que temos à disposição.
A investigação de outras interpretações para dado contexto e a busca de pensamentos alternativos mais realistas possibilita o desenvolvimento da flexibilidade cognitiva, indispensável para o distanciamento da rigidez mental que, por vezes, provoca ou intensifica a dor emocional. A flexibilidade psicológica influencia diretamente nos relacionamentos interpessoais, na medida em que o indivíduo aprimora a habilidade de empatia, com melhor compreensão em torno das motivações do outro.
Da mesma forma, tal mudança de perspectiva contribui para ampliar a percepção necessária para resolução de problemas, aumento do repertório comportamental e construção de relações sociais mais saudáveis, com maior entendimento dos diversos aspectos envolvidos.
Referência bibliográfica: GREENBERGER, Dennis & PADESKY, Christine. A mente vencendo o humor. Porto Alegre: Artemed, 2017.
Taiane Souza Lucas é Servidora da Coordenação de Saúde Ocupacional (Cosop), Psicóloga Clínica. Pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental – TCC
