'A dita tragédia de Maceió não existiu', diz conselheiro da Braskem
Por Redação
28/01/2024 às 12:20
Atualizado em 28/01/2024 às 12:20
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil/Arquivo

"A dita tragédia de Maceió não existiu. Graças a Deus não morreu ninguém. A ação coordenada de todos e a liderança da Braskem evitaram a tragédia. Não perdemos uma vida!"
Essas foram as palavras escritas por João Paulo Nogueira Batista em sua página no Linkedin neste sábado (27).
Nogueira Batista é CEO da Lojas Marisa e integrante do conselho de administração da petroquímica, cujas minas de sal-gema em Maceió (AL) romperam fazendo afundar cinco bairros da capital, desabrigando mais de 14 mil famílias. Cerca de 57 mil pessoas tiveram de deixar o local, que se tornou uma área fantasma.
O Painel S.A. questionou o executivo se era preciso haver mortes para que o grave acidente fosse considerado uma tragédia e se ele, com sua postagem, tentava reduzir os danos causados pela companhia. Também consultou a Braskem sobre o posicionamento de seu conselheiro.
Nogueira Batista disse à coluna que não teve a intenção de menosprezar os estragos causados pela empresa. Afirmou que modificaria o texto publicado e explicou que ele se referia ao acordo negociado pela empresa, moradores e poder público para evitar que houvesse mortes.
Sua postagem, disse, foi motivada pela publicação "Caso Pinheiro: a maior tragédia que o Brasil já evitou" feita pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em sua página na internet, em 2021.
Nela, há um relato sobre a condução do acordo que levou à indenização de cerca de 9,6 mil famílias naquele momento e sua transferência para outras áreas fora de perigo.
"Muitas [das famílias] nem tinham a documentação [do imóvel] em ordem e foram devidamente indenizadas", disse Nogueira Batista.
"Os valores [de indenização] foram acima da média. Há um provisionamento bilionário no balanço para as reparações e transferimos essas pessoas o mais rápido possível para evitar mortes. Tenho orgulho de fazer parte do conselho de administração que liderou todo esse processo," disse à coluna.
O processo dura desde 2019, mas ainda não se sabe a dimensão exata dos danos causados pela extração de sal-gema no subsolo de Maceió.
Em meados de dezembro de 2023, uma mina da Braskem rompeu, fazendo borbulhar trechos da Lagoa Mundaú.
O novo rompimento reacendeu o debate sobre o valor reservado a reparações decorrentes do incidente na proposta de compra do controle da Braskem pelo fundo árabe Adnoc à Novonor (ex-Odebrecht).
A quantia reservada à época para as compensações, cerca de R$ 1 bilhão, foi questionada por políticos alagoanos.
O senador Renan Calheiros (MDB), por exemplo, foi uma das vozes mais críticas. Ele atuou ativamente para a instalação da CPI da Braskem.
O negócio ainda está sendo avaliado pelos acionistas controladores —a Nonovor (ex-Odebrecht) e a Petrobras— e pelos bancos credores.
Consultada, a Braskem não quis comentar a publicação de seu conselheiro.
