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Indústria vê risco menor de falta de produtos no Natal por seca no Amazonas

Indústria vê risco menor de falta de produtos no Natal por seca no Amazonas

Por Leonardo Vieceli/Folhapress

02/11/2023 às 11:27

Atualizado em 02/11/2023 às 11:27

Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

Indústria vê risco menor de falta de produtos no Natal por seca no Amazonas

A ameaça de desabastecimento de produtos no Natal em razão da seca histórica no Amazonas ficou menor com os sinais de retomada recente no nível de rios da região, como o Negro, que banha Manaus.

Essa é a avaliação de Jorge Nascimento, presidente-executivo da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos).

"A gente estava com medo porque agora em novembro começa o escoamento da produção de Natal. Havia o risco de o rio descer até a metade de novembro", diz. "Como o rio está subindo há praticamente uma semana, e se continuar desse jeito, não há risco no Natal."

A Eletros representa indústrias de eletroeletrônicos e eletrodomésticos com forte presença na Zona Franca de Manaus, de onde as mercadorias saem para outros locais do Brasil.

De acordo com o Porto de Manaus, o nível do rio Negro chegou a 13,02 m nesta quarta-feira (1º), o que indica um leve aumento após os impactos da seca histórica. Na semana passada, a cota chegou a baixar a 12,70 m.

A redução dos níveis dos rios interrompeu a circulação de navios na região, o que afetou a chegada de insumos e o transporte da produção em cidades como a capital do Amazonas.

Assim, empresas passaram a estudar o uso de balsas, que têm uma capacidade menor, o que torna o translado das mercadorias mais lento e custoso.

Nascimento afirma que os navios ainda não conseguiram retomar as operações, mas vê chance para o retorno em breve, caso a melhora dos rios prossiga. "Já tivemos momentos mais críticos. Agora, estamos em um momento de subida dos rios", declara.

Com os efeitos da crise hídrica, indústrias que operam em Manaus recorreram a medidas como férias coletivas, confirma o presidente-executivo da Eletros, sem citar o número e os nomes das companhias.

"Algumas empresas associadas chegaram a comentar conosco que fariam férias coletivas, muito em decorrência da falta de insumo", diz. "Como faltou insumo para produzir, não tinha motivo para levar os trabalhadores para as fábricas. Iriam ficar de braços cruzados."

A Zona Franca de Manaus é conhecida por abrigar indústrias que fabricam produtos como motocicletas, aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos, incluindo celulares, televisores e ar-condicionado.

Segundo empresários, as companhias levaram em conta o histórico de pouca chuva na região no mesmo período de outros anos e reforçaram os estoques para evitar o desabastecimento antes da Black Friday, que ocorre em 24 de novembro.

O nível da estiagem em 2023, contudo, assustou a população local, e as preocupações das indústrias se voltaram para o Natal. Além da dificuldade no transporte fluvial, a seca também provocou uma série de outros impactos na Amazônia.

Morte de botos, isolamento de comunidades, falta de água, interrupção da produção de energia e problemas de saúde são exemplos dessas consequências.

Nesta quarta-feira (1º), boletim do Governo do Amazonas afirmou que todos os 62 municípios do estado registravam situação de emergência em decorrência da estiagem. Segundo dados da Defesa Civil, a seca severa afetava 598 mil pessoas –ou 150 mil famílias.

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