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Vereador de Salvador ataca cariocas após sanção de lei no Rio sobre acarajé: "Fernandinho Beira-Mar é o patrimônio de vocês"; veja vídeo
Vereador de Salvador ataca cariocas após sanção de lei no Rio sobre acarajé: "Fernandinho Beira-Mar é o patrimônio de vocês"; veja vídeo
Por Política Livre
30/10/2023 às 19:07
Atualizado em 30/10/2023 às 19:11
Foto: Reprodução

A decisão do governo estadual do Rio de Janeiro de sancionar uma lei que torna o acarajé patrimônio histórico e cultural do Estado, no último dia 24 de outubro, motivou um debate repleto de ataques preconceituosos aos cariocas na sessão plenária desta segunda-feira (30) da Câmara Municipal de Salvador. Quase sobra, inclusive, para o povo de santo.
Com um discurso que constrangeu os colegas, o vereador Átila do Congo (Patriota) classificou a lei, de autoria das deputadas estaduais fluminenses Renata Souza (Psol), Dani Monteiro (Psol) e Átila Nunes (MDB), como "falcatrua dos cariocas" motivada por "falta de vergonha na cara".
"Querer roubar algo que o mundo todo conhece: a titularidade do acarajé, do abará, que são comidas dos nossos Orixás, da nossa ancestralidade, do povo africano, herança do nosso axé. E todo mundo sabe que a Bahia é a terra do axé e do acarajé. Então, aos cariocas só resta lamentar e dizer meus pêsames. Vão tombar a escola de samba de vocês, vão tombar lá o morro da Rocinha que está tomado pelo Comando Vermelho, as favelas conhecidas pelo grande índice de criminalidade, os traficantes famosos do Rio", discursou o edil.
"Isso é de deixar a gente chateado, nervoso, com a cara de pau que não é de toda a população do Rio, claro, mas das pessoas que estão por trás de vocês. Fernandinho Beira-Mar é o patrimônio de vocês. Deixa a nosso acarajé, a nossa Bahia, vocês invejam a nossa cultura. O nome disso é malandragem", declarou o vereador, acrescentando que os cariocas "gostam de coisa fácil".
Nascido no Rio de Janeiro, o vereador Isnard Araújo (PL), que presidia a sessão e é evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus, não fez questão de defender os cariocas, mas rebateu a fala de que o acarajé é uma comida do Candomblé.
"Só quero discordar que o acarajé é comida dos Orixás. O acarajé é do baiano, é de todos aqueles que apreciam a comida, é de todos os brasileiros. É do católico, do evangélico, e é baiano, eu que vivi 30 anos no Rio de Janeiro", declarou. "Senhor presidente, o acarajé é uma comida originária da África e é comida de Iansã", rebateu Átila.
O debate começou quando o vereador Sílvio Humberto (PSB) lembrou que apresentou, em 2017, um projeto de lei que tornava o ofício da baiana de acarajé patrimônio cultural da cidade. O texto foi aprovado nas comissões técnicas e no plenário, mas foi vetado pelo então prefeito ACM Neto (União) "sob o argumento de que deveria constituir um conselho patrimonial para julgar critérios".
"Antes disso, o prefeito havia sancionado um outro projeto aprovado nesta Casa tornando o táxi patrimônio. Por isso que digo e reafirmo que Salvador é a capital afro, mas é da 'afroconveniência'. Tanto que até candidato negro tentaram inventar ano passado", acrescentou o edil, referindo-se à autodeclaração de ACM Neto como pardo nas eleições de 2022.
Vale frisar que, na Bahia, o ofício das baianas de acarajé já é considerado patrimônio histórico e cultural, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas o bolinho não é. Somente a prática tradicional de produção e venda em tabuleiros está escrito no Livro dos Saberes, e isso desde 2005.
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