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STF vai ficar 14 anos sem mulher na presidência se Lula indicar homem para vaga de Rosa Weber

STF vai ficar 14 anos sem mulher na presidência se Lula indicar homem para vaga de Rosa Weber

Por Rayssa Motta/Estadão

19/09/2023 às 17:46

Atualizado em 19/09/2023 às 18:43

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Plenário do STF (Supremo Tribunal Federal)

Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicar mais um ministro homem ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Corte passará os próximos 14 anos sem uma mulher na presidência.

Até o fim deste mês, a ministra Rosa Weber, presidente do Supremo, se aposenta ao completar 75 anos de idade. Sua sucessão é disputada a ferro e fogo por nomes destacados do mundo forense e juristas. Aliados de Lula defendem a indicação de uma mulher negra para a cadeira que Rosa ocupou nos últimos dois anos.

A tradição no STF é que o ministro mais antigo no tribunal, que ainda não tenha ocupado a presidência, seja eleito internamente para o cargo. O mandato é de dois anos.

Estão na lista de sucessão interna, pela ordem de antiguidade, os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Cristiano Zanin. O futuro indicado de Lula entrará no final da fila.

O presidente do STF também tem a função de dirigir o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão responsável pela administração do Poder Judiciário. Isso quer dizer que, na prática, o hiato também se aplica ao CNJ.

Rosa Weber foi a terceira e última mulher a ocupar uma cadeira no tribunal - em 132 anos de existência, o STF já contou 171 ministros homens.

Apesar da pressão de setores progressistas para Lula escolher uma mulher, o presidente tem evitado se comprometer com a indicação.

Aliados argumentam que a fidelidade é o primeiro critério para a escolha. Reconhecem, no entanto, que se não indicar uma mulher, Lula precisará enfrentar o ônus de ter reduzido a já desequilibrada representação de gênero no tribunal.

Despontam como favoritos na sucessão o ministro da Justiça, Flávio Dino, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, dois nomes próximos do petista.

Antes de deixar o cargo, Rosa Weber pautou no CNJ uma proposta para garantir a paridade de gênero nos tribunais de segunda instância de todo o País. O conselho começou a votar o texto nesta terça-feira, 19, mas a decisão foi adiada por um pedido de vista (mais tempo para análise).

A votação deve ser retomada na próxima semana. “Eu gostaria muito de votar nesse processo”, afirmou a ministra ao lembrar que foi a primeira magistrada de carreira a chegar ao Supremo Tribunal Federal.

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