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Damares diz que teve conversa “amistosa” e “protocolar com indicada de Lula ao STJ
Damares diz que teve conversa “amistosa” e “protocolar com indicada de Lula ao STJ
Por Roseann Kennedy/Eduardo Gayer/Estadão
17/09/2023 às 09:41
Atualizado em 17/09/2023 às 09:41
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Em beija-mão pelo Senado em busca de apoio antes de sua sabatina, a advogada Daniela Teixeira, indicada pelo presidente Lula a uma das vagas abertas no Superior Tribunal de Justiça (STJ), já esteve com um bastião do bolsonarismo, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Ela busca apoio principalmente na bancada feminina.
Damares afirma que a conversa foi “amistosa” e “protocolar”. “Eu a desafiei a ficar atenta à pauta da infância, pedido que faço a todos. Falei a ela de minhas convicções, de minha história e de meu trabalho. Ela fez o mesmo”, relatou a senadora à reportagem. “Eu e Dra. Daniela continuaremos defendendo o que acreditamos. Temos divergências políticas e ideológicas, mas nos respeitamos”.
Lula indicou Daniela Teixeira para a vaga no STJ numa estratégia combo para tentar amenizar a pressão pela escolha de uma mulher para a cadeira da ministra Rosa Weber no Supremo Tribunal Federal (STF).
De Brasília, a advogada é ex-vice-presidente da OAB do Distrito Federal e foi a candidata mais votada na lista da OAB, com 28 votos de todas as 27 unidades da federação. Na campanha pela vaga no STJ destacava, por exemplo, experiência em processos que têm na Corte, são 146.
Em 2019, Daniela estava na lista tríplice para a vaga de ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo favorita para o cargo, com apoio da ministra do STF Rosa Weber, ela não foi nomeada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que preferiu o nome do atual ministro Carlos Velloso Filho.
A relação da advogada com o ex-presidente é turbulenta. Em 2016, os dois discutiram no Congresso, quando Bolsonaro ainda era deputado federal. O bate-boca foi em audiência pública sobre estupro. Daniela Teixeira disse que os criminosos deveriam ser punidos, independentemente de quem fosse, inclusive “um deputado que é réu numa ação já recebida no STF”.
Na ocasião, Bolsonaro a rebateu aos berros, e fora do microfone. Pedia à advogada para apontar quem seria o citado. “É o senhor, Jair Bolsonaro, réu no inquérito já admitido pelo STF””, respondeu a advogada, que teve de sair da Câmara com escolta policial após um grande tumulto. Deputados tiveram de segurar o ex-presidente, então deputado.
