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Kleber Rosa rebate coronel Sturaro: "os casarões do Pelourinho não podem ser fechados"
Kleber Rosa rebate coronel Sturaro: "os casarões do Pelourinho não podem ser fechados"
Por Redação
10/07/2023 às 20:15
Atualizado em 10/07/2023 às 20:15
Foto: Marcos Musse

O coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia (Fetrab), Kleber Rosa, rebateu o coordenador da Prefeitura-Bairro do Centro Histórico de Salvador, coronel Sturaro, que declarou em entrevista à TV, na manhã desta segunda-feira (10), que "os casarões do Pelourinho precisam ser fechados e que as famílias lá moram precisam ser relocadas", após assalto sofrido por um jornalista e quatro turistas de São Paulo, no último sábado (8), no Centro Histórico.
Para Rosa, a fala do coronel Sturaro representa o pensamento eugenista presente na política e na segurança pública da Bahia. Segundo ele, a declaração do coordenador da Prefeitura-Bairro do Centro Histórico, “revela uma concepção antiga que orientou a segurança pública e que permanece presente ainda nos dias de hoje, a ideia de que você precisa limpar, afastar as famílias negras dos centros urbanos como se elas representassem ameaças”.
“É a premissa da limpeza étnica do século 19, que ainda continua vigente em nossa sociedade. É um absurdo a fala de Sturaro, porque, inclusive, no depoimento ele mesmo reconhece que as pessoas que moram nos casarões não são bandidas, que as pessoas que moram ali são famílias pobres e ainda assim ele propõe fechar e afastar as pessoas do centro. Isso é uma concepção eugenista, é a política de segurança pública baseada na ideia de que os negros são naturalmente e potencialmente criminosos. Isso justifica porque a população negra continua hoje sendo alvo principal das ações policiais. Então, é um absurdo a fala dele. Precisa ser combatida, precisa ser desconstruída e enfrentada. E nós precisamos definitivamente avançar com uma outra concepção de segurança pública", refletiu Kleber Rosa.
Rosa ainda salientou que "fechar" os casarões não vai resolver o problema da criminalidade que atinge o Pelourinho. O fundador do Movimento dos Policiais Antifascismo sugere que os casarões passem por um processo de requalificação. “São residências que precisam de uma política séria de habitação para garantir moradia digna para as pessoas, além de incluí-las num programa de emprego e renda em torno das atividades turísticas e culturais que são tão significativas no centro histórico", sugeriu.
“Fechar os casarões não vai resolver o problema da violência no Pelourinho. Concordo totalmente com [o apresentador] Ricardo Ishmael. Não precisamos fechar os casarões. Precisamos exatamente do oposto. Precisamos ocupar os casarões com programa de moradia popular, projetos sociais, educacionais e culturais que, inclusive, envolvam os jovens vulneráveis da região do Pelourinho, os turistas e a comunidade local de uma forma geral", propôs Kleber Rosa.
