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Rússia acusa Ucrânia de novos bombardeios na fronteira e realoca milhares de moradores
Rússia acusa Ucrânia de novos bombardeios na fronteira e realoca milhares de moradores
Por Folha de S. Paulo
04/06/2023 às 11:34
Atualizado em 04/06/2023 às 11:34
Foto: Olga Maltseva/AFP

Um grupo de combatentes russos pró-Ucrânia envolvidos em recentes incursões na região fronteiriça de Belgorodo, na Rússia, disse neste domingo (4) que levou dois soldados russos cativos e se ofereceu para trocá-los por uma reunião com o governador regional.
A Legião da Liberdade da Rússia e o Corpo de Voluntários Russos relataram batalhas travadas na região nos últimos dias, enquanto Kiev se prepara para montar uma contraofensiva contra as forças do Kremlin na Ucrânia.
Em um vídeo em um canal de Telegram da Legião da Liberdade da Rússia, um homem que se identificou como comandante do Corpo de Voluntários Russos disse que entregaria os dois prisioneiros ao governador de Belgorodo, Viacheslav Gladkov, se ele viesse encontrar os combatentes na vila de Novaia Tavolzhanka antes das 17h no horário local.
O vídeo mostrava os dois prisioneiros, um dos quais parecia ferido e estava deitado em uma mesa de operação.
"Hoje, até às 17h, vocês têm a oportunidade de se comunicar sem armas e levar para casa dois cidadãos russos, soldados comuns que você e sua liderança política enviaram para o massacre", dizia um comunicado publicado junto com o vídeo.
Não houve reação imediata de Gladkov ou Moscou.
A Rússia, que invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, diz que os dois grupos são terroristas agindo como representantes de Kiev. A Ucrânia negou envolvimento direto nos ataques, mas os classificou como consequência da invasão da Rússia.
Gladkov afirmou neste domingo que as forças ucranianas continuaram a bombardear sua região durante a noite depois que duas pessoas foram mortas na noite anterior e centenas de crianças foram retiradas da fronteira.
"Durante a noite, foi bastante inquieto", afirmou Gladkov em um canal de Telegram, acrescentando que os distritos de Shebekino e Volokonovski sofreram muitos danos com o último bombardeio.
Gladkov escreveu mais tarde que os incêndios começaram na cidade de Shebekino depois que as forças ucranianas bombardearam uma área de mercado no centro, acrescentando que ninguém ficou ferido. Shebekino fica a cerca de 7 km da fronteira ucraniana.
Mais de 4.000 pessoas foram realocadas para acomodações temporárias na região, segundo o governador.
A realidade da guerra está aos poucos sendo trazida para a Rússia, com bombardeios intensificados nas regiões fronteiriças, mas também ataques aéreos no interior do país, inclusive um na semana passada em Moscou.
No final de maio, os militares da Rússia disseram ter repelido um dos mais graves ataques transfronteiriços de um grupo de sabotagem ucraniano que, segundo eles, havia entrado em território russo em Belgorodo.
A Ucrânia negou ter atacado Moscou na semana passada e também que seus militares estejam envolvidos nas incursões em Belgorodo. Diz que são conduzidos por combatentes voluntários russos.
No sábado, Gladkov escoltou cerca de 600 crianças dos distritos de Shebekino e Graivoron da região para as cidades de Yaroslavl e Kaluga, longe da fronteira ucraniana.
"As crianças de Shebekino estão muito preocupadas com sua cidade natal", disse ele. "Comecei a sair, eles me pararam e com ansiedade começaram a fazer perguntas."
Shebekino, uma cidade de cerca de 40 mil habitantes, e outros lugares em Belgorodo foram atacados repetidamente recentemente, com Gladkov dizendo à mídia russa que sua região agora vive em condições de guerra real.
Neste domingo, os militares ucranianos renovaram seu apelo por silêncio em torno de uma contraofensiva há muito esperada contra as forças russas —autoridades ucranianas desencorajaram a especulação pública sobre a operação, dizendo que isto poderia ajudar o inimigo.
Há grande expectativa em torno do que se espera ser um amplo ataque das forças de Kiev para retomar o território ocupado pela Rússia no leste e no sul do país.
Nos últimos dias, as autoridades também reprimiram os cidadãos que compartilham imagens ou filmagens de sistemas de defesa aérea derrubando mísseis russos. "Os planos amam o silêncio. Não haverá anúncio do início", disse um oficial em um vídeo publicado nos canais oficiais do Telegram, aparentemente referindo-se à contraofensiva.
Os aliados ocidentais de Kiev nos últimos meses forneceram armas, armaduras e munições para a contraofensiva, que especialistas militares disseram que poderia ser difícil contra as forças russas entrincheiradas.
Em entrevista publicada no sábado, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse que Kiev estava preparada para a operação, mas não deu prazos.
Em resposta, neste domingo o Kremlin afirmou que qualquer fornecimento de mísseis de longo alcance para Kiev pela França e pela Alemanha levaria a tensões crescentes no conflito na Ucrânia. No mês passado, o Reino Unido se tornou o primeiro país a fornecer à Ucrânia foguetes de cruzeiro de longo alcance.
A Ucrânia pediu à Alemanha mísseis de cruzeiro Taurus, que têm um alcance de 500 km, enquanto o presidente Emmanuel Macron disse que a França dará à Ucrânia mísseis com um alcance que lhe permita realizar sua contraofensiva.
A Rússia critica repetidamente os países ocidentais por fornecerem armas à Ucrânia e alerta que os membros da Otan, a aliança militar do ocidente, se tornaram efetivamente partes diretas do conflito.
