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Preocupação de segurança russa deve ser levada em conta para paz, diz Amorim

Preocupação de segurança russa deve ser levada em conta para paz, diz Amorim

Por Folha de S. Paulo

02/06/2023 às 10:07

Atualizado em 02/06/2023 às 10:07

Foto: Luisa Gonzalez/Reuters

Assessor de Lula para política externa retoma em entrevista ao Financial Times posição do presidente que desagrada Ocidente

O governo Lula voltou a afirmar que uma solução de paz para a Guerra da Ucrânia precisa levar em conta preocupações da Rússia, em especial no que diz respeito à segurança nacional, postura que destoa do discurso empregado por aliados do Norte Global no conflito.

A declaração desta vez foi proferida pelo ex-chanceler Celso Amorim, assessor especial da Presidência e principal conselheiro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para política externa, em entrevista ao jornal Financial Times publicada nesta sexta-feira (2).

"Não queremos uma terceira guerra mundial, tampouco uma nova Guerra Fria", afirmou. "As preocupações de todos os países da região devem ser levadas em conta se o objetivo é a paz. A outra alternativa seria a vitória militar total contra a Rússia. Sabemos o que vem depois disso? Eu não."

Amorim, que foi o enviado de Lula para conversar com Vladimir Putin em Moscou e com Volodimir Zelenski em Kiev, disse que a culpa do conflito não é da Ucrânia. "Kiev é vítima dos resquícios da Guerra Fria", afirmou. "Não podemos julgar essa situação pelo último um ano e meio. É uma situação de décadas."

Ainda na conversa com o jornal nipo-britânico, ele listou a segurança nacional como uma das principais preocupações de Moscou —antes de invadir o país vizinho, o Kremlin argumentou estar protegendo suas fronteiras do alargamento da Otan, a aliança militar ocidental.

As declarações do assessor da Presidência vão ao encontro de falas anteriores de Lula que chegou a dizer que Zelenski "não pode também ter tudo o que ele pensa que vai querer", dando a entender que uma negociação de paz poderia deixar de lado a desocupação de porções do território ucraniano hoje tomadas pela Rússia.

Em recente entrevista à Folha na capital Kiev, quando questionado sobre o fato de a proposta de paz do Brasil não abarcar pré-condições (como a desocupação desses terrenos), Zelenski desconversou, mas frisou que quer conversar com Lula e ouvir o que o petista propõe.

As falas de Amorim se dão em paralelo a um encontro de chanceleres do Brics, grupo que Brasil e Rússia integram, na África do Sul. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, está presente, e espera-se que tenha uma reunião bilateral com seu homólogo russo, o decano Serguei Lavrov, que em abril visitou Brasília.

Segundo trechos do discurso de Lavrov divulgados pela agência estatal Tass, o russo teria repetido que o Brics (composto também por Índia, China e pela anfitriã África do Sul) deve buscar resposta conjunta ao que chamou de ações do Ocidente como "tentativas de minar a segurança coletiva e terrorismo internacional".

Na declaração final do encontro divulgada nesta sexta-feira, um documento de 30 pontos, os países-membros reiteram pontos já conhecidos, como a condenação de sanções e embargos econômicos e a demanda pela reforma de conselhos de tomada de decisão na ONU.

Sobre a Guerra da Ucrânia, tema que sobrevoa um dos parágrafos, os membros do Brics dizem apreciar propostas relevantes pela paz que têm sido colocadas na mesa —além do Brasil, a China apresentou um plano, ainda que tenha sido ignorado pelo Ocidente— e pedem a plena implementação do acordo de grãos no Mar Negro, que permite o escoamento dos produtos ucranianos para outros continentes.

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