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Lula só vai indicar ao STF ministro para quem possa 'telefonar', e chance de mulheres diminui
Lula só vai indicar ao STF ministro para quem possa 'telefonar', e chance de mulheres diminui
Por Mônica Bergamo, Folhapress
02/06/2023 às 13:43
Atualizado em 02/06/2023 às 13:43
Foto: José Cruz/Agência Brasil

O presidente Lula (PT) já estabeleceu um critério para a indicação do substituto da ministra Rosa Weber no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve ocorrer em outubro, quando ela se aposenta: o novo magistrado precisará ter com ele proximidade suficiente para que ambos possam ao menos dialogar com naturalidade, e sem intermediários.
Nas palavras de um ministro do governo: escaldado por tudo o que já passou em sua vida, Lula não vai indicar ao STF uma pessoa para quem não possa telefonar.
É uma forma diferente de dizer o mesmo que Jair Bolsonaro (PL) afirmou quando escolheu magistrados para a Corte: "Vou indicar quem toma cerveja comigo". Ou, no caso de um juiz conservador, "que tome tubaína".
Não precisa ser amigo nem prometer fidelidade canina. Mas precisa ser ao menos acessível a Lula, dizem auxiliares do petista. E para isso não basta ter bom currículo, ou ter apoiadores de peso.
Neste contexto, a candidatura de uma mulher ao STF perde força.
Apesar da pressão que se intensifica para que Lula contemple a demanda por uma indicação feminina, ele não conheceria de perto nenhuma das candidatas que estão sendo cotadas para o cargo. E o tempo seria curto para que o presidente não apenas se aproximasse, como passasse a conhecer o pensamento delas a ponto de estabelecer uma relação de confiança.
A única mulher com quem Lula teria proximidade, a ponto de pegar o telefone e ligar, é a professora de Direito Carol Proner. A advogada se envolveu na campanha para tirá-lo da prisão e chegou a se encontrar com o Papa Francisco para falar sobre o que juristas consideravam perseguição política contra Lula por vias judicias, o chamado "lawfare".
Carol Proner é casada com Chico Buarque, e o casal tem também uma relação de amizade com Lula e a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja.
A indicação de uma mulher, portanto, é algo que Lula considera. Mas há pedras no caminho para que isso ocorra.
Na visão de auxiliares diretos de Lula, a expectativa de lealdade irrestrita de um magistrado indicado ao STF é ilusória, e o presidente sabe que não pode esperar isso nem de pessoas hoje próximas a ele.
Depois de empossado, o ministro passa a ter poder equivalente ao do presidente. Tem até a vantagem de ficar no cargo mesmo depois que Lula deixar o governo, e dele não ser retirado até completar 75 anos.
Se mesmo familiares brigam e divergem, quanto mais autoridades políticas, afirmam os mesmos integrantes do governo.
A própria ministra Rosa Weber teria dado a senha.
Em encontro na quinta (1º) com o presidente da Finlândia, Sauli Niinistö, que realiza visita oficial ao Brasil, ela afirmou: "Aqui no Brasil nós temos muitas mulheres na base da magistratura, na Justiça em primeiro grau, mas o número decresce no intermediário. Na cúpula, nos tribunais superiores, o número é ínfimo", disse a ministra.
