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Ministra diz que não há chance de não ter aumento real do mínimo em 2024

Ministra diz que não há chance de não ter aumento real do mínimo em 2024

Por Nathalia Garcia/Folhapress

17/04/2023 às 17:30

Atualizado em 17/04/2023 às 17:30

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

A ministra Simone Tebet (Planejamento)

A ministra Simone Tebet (Planejamento) afirmou nesta segunda-feira (17) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumprirá sua promessa de campanha e dará aumento real no salário mínimo em 2024, embora o PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) considere apenas a correção pela inflação.

"Não há a menor chance de o presidente no ano que vem não dar aumento real no salário mínimo. O salário mínimo virá, não só com aumento da inflação, mais o percentual permitido pelo espaço fiscal", disse Tebet.

"Que se tire de qualquer lugar, mas o presidente não vai descumprir uma promessa de campanha, como durante oito anos de seus dois primeiros mandatos ele fez. O aumento vai ser real, o quanto vai depender da aprovação do arcabouço, e de que forma nós poderemos estar falando de incremento de receitas de um lado e de corte de despesas do outro", acrescentou.

O PLDO de 2024, enviado ao Congresso Nacional na última sexta-feira (14), prevê que o salário mínimo suba para R$ 1.389 em 2024, sem aumento real. Mas o valor não é definitivo.

O montante previsto no PLDO considera apenas a correção do valor previsto para dezembro de 2023 pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), voltado à inflação sentida pelos brasileiros de menor renda, que tem projeção estimada pelo governo em 5,16%.

O valor de R$ 1.389 representa um avanço de 5,2% e é calculado sobre o salário mínimo de R$ 1.320 prometido por Lula para ser aplicado a partir de 1º de maio.

"Eventuais novas regras de reajuste, que prevejam aumentos reais para o salário mínimo, serão oportunamente incorporadas ao cenário fiscal quando da elaboração da lei orçamentária anual", disse a pasta em nota.

Até 2019, a regra para o salário mínimo previa a correção pela inflação do ano anterior mais o aumento real do PIB (caso fosse positivo) de dois anos antes —o que, na maior parte do período, proporcionou reajustes reais aos trabalhadores. A regra foi instituída em 2011, no governo de Dilma Rousseff (PT).

O governo Jair Bolsonaro (PL) deixou de dar aumento real do salário mínimo a partir de 2020. Atualmente, uma nova fórmula de reajuste está em debate no Ministério do Trabalho e Emprego e o governo tem defendido implementar uma política de valorização.

O valor do salário mínimo é usado como base para calcular o pagamento de aposentadorias, benefícios assistenciais e seguro-desemprego.

Segundo o PLDO, é gerado um incremento de R$ 374,8 milhões nas despesas do governo central –Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central– para cada R$ 1 adicional no salário mínimo, que leva também a um aumento de R$ 6,3 milhões na arrecadação previdenciária. Isso resulta em redução líquida de R$ 368,5 milhões no resultado primário do governo central de 2024.

No documento enviado ao Congresso, o governo também estima que o salário mínimo passe a R$ 1.435 em 2025 e a R$ 1.481 em 2026.

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