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Zé Trovão ataca Lula na Câmara, mas no Planalto fala em economia no 'rumo certo'

Zé Trovão ataca Lula na Câmara, mas no Planalto fala em economia no 'rumo certo'

Por Levy Teles/Vera Rosa/Estadão

08/03/2023 às 17:00

Atualizado em 08/03/2023 às 17:02

Foto: Reprodução/YouTube

O deputado federal Zé Trovão (PL-SC)

Sete horas antes de acusar o governo de coagir parlamentares novatos para que retirassem assinaturas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) dos Atos Golpistas, nesta terça-feira, 7, o deputado federal bolsonarista Zé Trovão (PL-SC) elogiou a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Em café da manhã no Palácio do Planalto, Trovão disse que o Brasil e a economia estão “no rumo certo”. Mais tarde, do outro lado da Praça dos Três Poderes, o discurso foi bem diferente: na tribuna da Câmara, Zé Trovão chamou o governo de “cara de pau” e sem “escrúpulo”.

Diante do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e do vice-presidente Geraldo Alckmin, porém, o deputado se definiu como “aberto” ao diálogo. “O Brasil precisa continuar no rumo certo. E o mais importante para o Brasil é nossa economia da maneira que ela está: em crescente”, destacou ele. O áudio do encontro no Planalto, que reuniu deputados de primeiro mandato, foi obtido pela reportagem.

Registrado como Marcos Antônio Pereira Gomes, Zé Trovão liderou os caminhoneiros e mobilizou manifestantes para atos antidemocráticos no 7 de Setembro de 2021. Em vídeos no YouTube, ele pedia a exoneração dos 11 integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Após ter a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, fugiu para o México. Foi preso em outubro de 2021 e hoje usa tornozeleira eletrônica.

“Eu sou oposição ao governo, e não ao Brasil”, disse Zé Trovão durante o café com Padilha, Alckmin e seus novos colegas. “Precisamos ser oposição, mas consciente, respeitando os limites da boa convivência e sempre pensando que é o povo brasileiro que precisa ser assistido”, completou. O deputado também aplaudiu a iniciativa de Lula de insistir na reforma tributária.

No meio da tarde, porém, Zé Trovão subiu à tribuna da Câmara, com seu tradicional chapéu preto na cabeça, e fez um discurso inflamado contra o governo. Acusou o Planalto de condicionar o repasse de emendas a deputados novatos à retirada de assinaturas da CPMI, capitaneada por bolsonaristas. “E estou dizendo isso porque eu fui até lá hoje (terça-feira, 7), nessa reunião, para saber do que eles iam falar. E eles têm a cara de pau de querer coagir os novos deputados que chegaram à Casa, dizendo: ‘Ou você retira seu nome da CPMI, ou você não vai receber’”, afirmou o deputado. “Eu prefiro ficar sem um real para levar para o meu Estado a me acovardar diante desse governo que não tem caráter nem escrúpulo”.

O governo e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reservaram a 219 deputados novatos o direito de definir onde devem ser aplicados cerca de R$ 3 bilhões do Orçamento. Cada parlamentar terá direito a uma quantia na casa dos R$ 13 milhões. Com o agrado, o governo pretende assegurar apoio e votos para propostas de seu interesse no Congresso.

O Planalto nega que esteja usando as emendas para barganha política. O deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), também novato, participou do café com Padilha e Alckmin e disse não ter ouvido qualquer ameaça nem tentativa de intimidação. “Para nós, as eleições acabaram no segundo turno”, declarou o ministro das Relações Institucionais.

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