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Rui deixa Haddad esperando por quase uma hora e disputa dos dois por protagonismo no governo explode

Rui deixa Haddad esperando por quase uma hora e disputa dos dois por protagonismo no governo explode

Por Vera Rosa/Estadão Conteúdo

22/03/2023 às 09:00

Atualizado em 22/03/2023 às 09:21

Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

Rui Costa, Lula e Fernando Haddad

Há no governo uma disputa de bastidor entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o chefe da Casa Civil, Rui Costa. E, no meio dos dois, o PT. O partido do presidente Lula, de Haddad e de Costa não quer saber de ajuste para ressuscitar superávit primário nem controlar gastos.

A avaliação é a de que um arcabouço fiscal assim levará o projeto de poder petista à ruína e abrirá caminho para a volta de Jair Bolsonaro ou de um nome apadrinhado pela extrema direita, caso ele fique inelegível.

No Palácio do Planalto, Lula é conhecido por arbitrar “genialidades”. Mas o embate da vez entre Haddad e Costa não repete a velha briga entre a equipe econômica e a ala política do governo, como ocorria entre Antônio Palocci e José Dirceu, no primeiro mandato de Lula. É mais do que isso.

À época, Dirceu tinha o apoio do PT para fazer as críticas e Palocci era visto como um fiscalista que só se preocupava com números, não com o social. Hoje, Costa não conta com a simpatia da cúpula do partido. Ao contrário: o PT o considera “liberal” e “privatista”. Além disso, o atual chefe da Casa Civil não quer impedir superávit primário. Pretende, sim, se consolidar como “capitão do time” e controlar o processo. Haddad, por sua vez, não abre mão de seu papel.

Na temporada “Lula 3?, o duelo entre Fazenda e Casa Civil é mais por espaço de dois possíveis candidatos à sucessão do presidente – fator que também apareceu de 2003 a 2005, quando estourou o mensalão – do que por antagonismo de posições, o ingrediente ideológico do primeiro mandato.

O problema é que, para piorar o cenário, os petistas já deram sinais de que não vão facilitar a vida de Haddad. E continuarão pedindo a cabeça do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o vilão da série de juros estratosféricos.

Nessa troca de cotoveladas, até a maldição da Casa Civil bate à porta. A exemplo da presidente cassada Dilma Rousseff, que já ocupou aquele ministério, Costa é dono de temperamento definido como “difícil” por interlocutores. Em mais de uma reunião, por exemplo, o ex-governador da Bahia interrompeu colegas, como o próprio Haddad.

Na manhã de ontem, o ministro da Fazenda foi ao Planalto e esperou Costa por quase uma hora para a reunião da Junta Orçamentária, com Simone Tebet (Planejamento) e Esther Dweck (Gestão). Depois de 45 minutos, não pensou duas vezes: levantou e foi embora. Deixou ali como representante o secretário do Tesouro, Rogério Ceron.

Como se diz em Brasília, Haddad terá de engolir muito sapo e ainda pedir a receita. E não só para o Centrão.

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