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'Tem coisas que não podem ser reparadas', diz Marina Silva sobre crise yanomami

'Tem coisas que não podem ser reparadas', diz Marina Silva sobre crise yanomami

Por Nicola Pamplona/Folhapress

06/02/2023 às 11:40

Atualizado em 06/02/2023 às 11:40

Foto: Fábio Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil

'Tem coisas que não podem ser reparadas', diz Marina Silva sobre crise yanomami

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta segunda-feira (6) que a situação dos yanomamis em Roraima é uma "atrocidade inominável", que foi "induzida pelo governo Bolsonaro para eliminar essa população".

A ministra disse que a prioridade do governo neste momento é retirar os intrusos do território indígena e reparar as populações e áreas afetadas, quando possível. Os yanomamis vivem uma severa crise sanitária, o que fez o Ministério da Saúde decretar emergência em saúde pública no último dia 20.

"Tem coisas que não podem ser reparadas. Como reparar uma vida? Como reparar crianças desnutridas? Como reparar crianças que foram estupradas e estão grávidas?"

As declarações foram dadas em entrevista antes da posse do novo presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Aloizio Mercadante, no Rio de Janeiro.

Marina evitou dar detalhes da atuação da força-tarefa criada pelo governo para enfrentar a crise.

"Todas as providências estão sendo tomadas", limitou-se a dizer. E destacou que há tecnologias para reparar as áreas afetadas pelo garimpo. "É um processo complexo e difícil, mas os esforços serão feitos."

"Ao longo desses quatro anos, [a área] foi completamente abandonada", afirmou. "Foi um processo induzido pelo governo Bolsonaro para eliminar essa população."

De acordo com estudo financiado pelo Unicef e realizado em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e o Ministério da Saúde, o território yanomami sofre com o aumento da malária e com a desnutrição infantil crônica, que atinge 80% das crianças até cinco anos.

Um inquérito foi aberto pela PF (Polícia Federal) para apurar crime de genocídio. Serão investigados garimpeiros e operadores da logística do garimpo, coordenadores de saúde indígena no governo passado e agentes políticos, o que pode incluir o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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