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PGR não vê impedimento para execução no Brasil da pena de Robinho, condenado na Itália
PGR não vê impedimento para execução no Brasil da pena de Robinho, condenado na Itália
Por Marcelo Rocha/Folhapress
27/02/2023 às 18:02
Atualizado em 27/02/2023 às 21:42
Foto: Divulgação

A PGR (Procuradoria-Geral da República) entendeu que não há restrições à transferência para o Brasil da execução da pena imposta ao ex-jogador de futebol Robinho, 39, na Itália e forneceu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) quatro endereços para que ele seja citado.
Robinho foi condenado em última instância pela Justiça italiana a nove anos de prisão por ter participado de um estupro coletivo no país europeu. O jogador sempre negou o crime.
De acordo com a manifestação da PGR, "inexistentes quaisquer restrições à transferência da execução da pena imposta aos brasileiros natos no estrangeiro", o ex-jogador deve ser citado para apresentar contestação.
O documento assinado pelo subprocurador-geral da República Carlos Frederico dos Santos foi enviado à corte superior nesta segunda-feira (27).
A PGR lembrou que o tribunal ainda não se pronunciou acerca da possibilidade de homologação de sentença para a transferência da execução da pena no Brasil.
No entanto, frisou a Procuradoria, há decisão monocrática do ministro Humberto Martins, ex-presidente do STJ, "reconhecendo a validade desse procedimento".
Por meio do Ministério da Justiça brasileiro, a Itália entrou no STJ com o pedido de homologação da decisão que condenou o ex-jogador. O objetivo é que a pena seja cumprida no Brasil.
A citação faz parte do processo de homologação da sentença italiana.
Em uma nota técnica, o Ministério da Justiça informa que a Constituição Federal impede a extradição do ex-jogador por ele ser um brasileiro nato.
O governo brasileiro, ainda com Jair Bolsonaro (PL) na presidência, negou a extradição em novembro do ano passado, solicitada pela Itália em outubro do mesmo ano.
Segundo nota divulgada pelo STJ, a solução apontada pelo Ministério da Justiça brasileiro é a transferência da execução da pena, conforme estabelece artigos da Lei de Migração e do Tratado Bilateral de Extradição entre Brasil e Itália.
JOGADOR NEGA O CRIME
Antes de uma das sessões de julgamento, Alexander Gutierres, um dos advogados de defesa de Robinho na Itália, comentou com jornalistas que o processo continha falhas, que o jogador era inocente e que ele foi "massacrado pela mídia".
Em fases judiciais anteriores, os advogados do atleta sustentavam que não havia provas de que a relação com a vítima –uma mulher albanesa que hoje tem 31 anos e vive na Itália– não tenha sido consensual.
Em 2020, o atacante falou sobre o episódio ao UOL.
"Eu me arrependo de ter traído a minha esposa. Esse é meu arrependimento. Em relação às frases que saíram, fora de contexto e para vender jornal e revista... Obviamente, eu mudei muito de sete anos para cá. Isso aconteceu em 2013, e eu mudei para melhor. A questão é: qual foi o erro que eu cometi? Qual foi o crime que eu cometi? O erro foi não ter sido fiel a minha esposa, não cometi nenhum erro de estuprar alguém, de abusar de alguma garota ou sair com ela sem o consentimento dela", afirmou.
