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Peru fecha acesso a Machu Picchu devido a protestos contra governo

Peru fecha acesso a Machu Picchu devido a protestos contra governo

Por Folhapress

21/01/2023 às 16:31

Atualizado em 21/01/2023 às 16:31

Foto: Reprodução/Twitter

A cidade inca de Machu Picchu

O Peru fechou neste sábado (21) por tempo indefinido a entrada para a cidade inca de Machu Picchu, joia turística do país, alegando motivos de segurança devido aos protestos que pedem a renúncia da presidente Dina Boluarte. Até agora, confrontos ligados às manifestações já deixaram mais de 50 mortos.

"A malha rodoviária inca e a cidadela de Machu Picchu foram fechadas em vista da situação social e para garantir a integridade dos visitantes", afirmou o Ministério da Cultura. A medida vale "até novo aviso".

O governo tomou essa decisão logo após o serviço ferroviário que vai da cidade de Cusco a Machu Picchu ser suspenso devido a danos na via férrea supostamente provocados por ativistas antigoverno. Segundo a concessionária Ferrocarril Trasandino, os trilhos da via foram retirados de seu lugar na sexta.

Ao menos 400 turistas estão presos em Aguas Calientes, povoado próximo a Machu Picchu. A ferrovia é o único meio de transporte para a cidadela, já que não há uma passagem para carros que a conecte a Cusco, localizada a 110 km de distância. O fechamento, caso se estenda por um longo período, trará consequências econômicas, já que o turismo é a principal fonte de renda da região, berço do império inca, onde a cidade construída no século 16 se ergue no topo de uma montanha arborizada.

Também neste sábado, um manifestante gravemente ferido pela repressão policial aos protestos em Ilave, na região de Puno, no sul do Peru, não resistiu aos ferimentos e morreu, segundo a Defensoria do Povo.

A atuação das forças de segurança na cidade desencadeou a revolta da população, que incendiou a delegacia de polícia no amanhecer deste sábado. Os confrontos entre os moradores aimaras e os agentes também deixaram dez feridos, de acordo com fontes hospitalares. Imagens que se tornaram virais nas redes sociais mostram policiais atirando contra manifestantes na praça principal de Ilave, uma pequena cidade a 3.800 metros de altitude perto do lago Titicaca, na fronteira com a Bolívia.

Outra delegacia de Puno, no distrito de Zepita, também foi incendiada na sexta (20), sem deixar vítimas.

A semana foi marcada por uma grande mobilização que chegou a Lima e terminou em caos, incluindo um incêndio de grandes proporções no centro. Boluarte, que na véspera fez um discurso em rede nacional para dizer que a situação estava sob controle, esforça-se para manter a mensagem de normalidade.

Ativistas mantiveram bloqueios em ao menos 120 pontos em estradas, em 15 províncias do país. O líder de um sindicato de caminhoneiros alertou que a categoria está cansada desse tipo de medida e pode entrar em rota de colisão com os manifestantes.

Nas zonas urbanas, os atos voltaram a registrar confrontos com as forças de segurança em várias regiões, de La Libertad, ao norte, a Arequipa, ao sul.

As manifestações são convocadas em sua maioria por apoiadores do ex-líder Pedro Castillo, deposto e preso no dia 7 de dezembro após tentar aplicar um autogolpe e dissolver o parlamento. O Poder Legislativo do país, controlado pela direita, estava prestes a destituí-lo por um suposto caso de corrupção.

No centro da capital, na região da avenida Abancay, policiais lançaram bombas de gás para conter os manifestantes, que atiravam pedras de calçamento e garrafas enquanto tentavam se aproximar do prédio do Congresso.

Também em Lima, a polícia entrou na Universidade San Marcos e prendeu dezenas de indígenas e estudantes que acampavam na instituição. Organizações de direitos humanos foram à sede da universidade para protestar.

"Tenho familiares aqui. Não sabemos o que pode acontecer com eles, não sei do que os acusam", disse à agência de notícias AFP Luz María Ramirez, 62, que chegou de Andahuaylas, centro dos protestos em dezembro.

O governo peruano alega que as manifestações são promovidas por movimentos radicais de esquerda que mobilizaram camponeses e indígenas do sul.

No último domingo, o governo estendeu por 30 dias o estado de emergência em Lima, Cusco, Callao e Puno. Com a medida, os militares ficam autorizados a intervir com a polícia em nome da ordem pública.

Na quinta-feira (19), as províncias de Amazonas e La Libertad, ao norte do país, e Tacna, na fronteira com o Chile, foram incluídas no estado de emergência. Ao todo, quase um terço das 25 províncias do país estão sob o mecanismo.

A crise reflete a desigualdade existente entre a capital e as áreas pobres, que apoiam Castillo —um ex-professor rural de origem indígena.

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