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Indicação de embaixador do Brasil na Argentina frustra expectativa por mulher no cargo

Indicação de embaixador do Brasil na Argentina frustra expectativa por mulher no cargo

Por Patrícia Campos Mello, Folhapress

24/01/2023 às 15:26

Atualizado em 24/01/2023 às 19:17

Foto: Pedro França/Agência Senado

O embaixador Julio Bitelli durante sessão da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, em Brasília

O anúncio do embaixador Julio Bitelli como o escolhido para ser o embaixador do Brasil na Argentina gerou frustração entre parte das diplomatas do Itamaraty, que esperavam emplacar uma mulher no cargo.

"Uma frustração, uma decepção", disse à Folha a embaixadora Irene Vida Gala, presidente da Associação das Mulheres Diplomatas Brasileiras. "Como não conseguimos uma chanceler mulher, havia a expectativa de ter embaixadoras nos dois principais postos da diplomacia brasileira, Washington e Buenos Aires."

Maria Luiza Viotti, que foi representante do Brasil na ONU e chefe de gabinete do secretário-geral da ONU, António Guterres, deve ser a embaixadora brasileira nos EUA. Já para Buenos Aires, estavam cotadas a embaixadora Gisela Padovan, que vai assumir a Secretaria de América Latina e Caribe, e Eugênia Barthelmess, hoje embaixadora em Singapura e ex-diretora de América do Sul no Itamaraty.

Bitelli foi embaixador na Colômbia, na Tunísia e chefia hoje a representação no Marrocos. Antes, foi chefe de gabinete de Mauro Vieira no primeiro período dele como chanceler (2015-16) e serviu na Missão do Brasil junto à ONU e nas embaixadas em Montevidéu, Washington, Buenos Aires e La Paz.

"Tínhamos mulheres altamente qualificadas para o cargo. Bitelli está igualmente habilitado a assumir o posto em Buenos Aires, mas não se trata só de competência, é preciso considerar representatividade", diz Gala. "A nomeação de um homem traz desalento, pois nos mantêm na posição de eternas aspirantes."

Havia pressão de diplomatas mulheres e de setores do PT para a escolha de uma chanceler, algo inédito, mas Vieira acabou sendo o escolhido. Colocar embaixadoras à frente de representações diplomáticas cruciais para o Brasil iria ao encontro das promessas do chanceler de aumentar o número de mulheres em cargos de liderança. A embaixadora Maria Laura da Rocha foi nomeada secretária-geral do Itamaraty, o segundo cargo mais alto na hierarquia da pasta –a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo.

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