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Fotos indicam possível pichadora do 'perdeu, mané' na estátua da Justiça do STF

Fotos indicam possível pichadora do 'perdeu, mané' na estátua da Justiça do STF

Por Gabriela Biló e Thaísa Oliveira / Folha de São Paulo

24/01/2023 às 11:13

Atualizado em 24/01/2023 às 11:13

Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Mulher aparece em imagens como se estivesse escrevendo a frase; depois, ela exibe mãos e dedos sujos de tinta

Fotos registradas pela Folha durante a invasão e destruição das sedes dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro em Brasília, mostram uma mulher que possivelmente foi a pichadora da estátua "A Justiça", obra que fica em frente à sede do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em uma das imagens, ela está em cima da escultura com uma das mãos tocando a frase pichada: "Perdeu, mané". Em seguida, ainda em cima da obra, ela exibe as mãos sujas de tinta e sorri.

Depois, ela senta na estátua e pega o celular das mãos de um homem, que está em pé. Na sequência, a mulher desce da escultura e abraça o homem, que também está sorrindo.

No momento em que a mulher está em cima da estátua, o homem aparece nas imagens de pé com o celular apontado para a cena. É possível ver ainda que há dois traços de tinta no rosto da mulher.

A frase pichada na escultura é uma referência à resposta do ministro Luís Roberto Barroso (STF) ao assédio feito por um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Perdeu, mané. Não amola!", disse o ministro ao homem que o abordou na rua, em Nova York, em novembro.

A Folha identificou uma moradora do interior de São Paulo que seria a mulher das fotos e falou com ela por telefone. Ela foi localizada por meio de busca em redes sociais, o que levou a uma pessoa que, sob condição de anonimato, indicou conhecer a mulher das imagens.

Segundo essa pessoa, a mulher esteve em Brasília no final de semana da invasão às sedes dos Três Poderes e transmitiu a ação dos vândalos em tempo real em seu perfil no Instagram.

Embora ela tenha apagado postagens de suas redes sociais, foram feitos prints de um de seus perfis reforçando a sua ligação com os atos.

Em uma de suas últimas publicações, a mulher compartilhou um vídeo com o título "Convocação 18/12 e 19/12. Chamada aos patriotas". Nele, um homem afirma que é preciso "dar força às Forças Armadas" e "lotar Brasília" para repetir o "7 de Setembro" de 2022.

A Folha falou com a mulher por telefone na sexta-feira (20). Ela demonstrou surpresa quando foi questionada sobre a vandalização da estátua e disse: "Eu vandalizei estátua?". A partir desse momento, ela ficou em silêncio e deixou de responder às perguntas que lhe eram feitas.

Depois desse contato, ela não atendeu mais as ligações nem respondeu às mensagens.

A escultura "A Justiça" é uma das principais obras do mineiro Alfredo Ceschiatti, e está avaliada entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões. Esculpida em granito, a estátua tem mais de três metros de altura e fica na praça dos Três Poderes, em frente à entrada principal do STF.

A escultura de 1961 retrata a deusa da Justiça na mitologia grega. A mulher está sentada, de olhos vendados, com uma espada no colo. Diferentemente de outras representações, "A Justiça" de Ceschiatti não tem a balança em mãos.

Peritos da Polícia Federal devem indicar qual a substância usada para vandalizar a obra. A frase "perdeu, mané" também foi pichada várias vezes nos vidros do STF.

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