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Jean Paul Prates é indicado para a presidência da Petrobras e defende fundo para combustíveis
Jean Paul Prates é indicado para a presidência da Petrobras e defende fundo para combustíveis
Por Folhapress
30/12/2022 às 15:10
Atualizado em 30/12/2022 às 15:10
Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

O presidente diplomado Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (30) o nome do senador Jean Paul Prates (PT-RN) como presidente da Petrobras.
O nome já era ventilado há semanas para o cargo. O anúncio foi feito após reunião de Prates com Lula no hotel em que o petista está hospedado em Brasília. Lula usou suas redes sociais para confirmar o nome do senador, ressaltando a sua formação e experiência no setor.
"Gostaria de anunciar a indicação do Jean Paul Prates para a presidência da Petrobras. Advogado, economista e um especialista no setor de energia, para conduzir a empresa para um grande futuro", escreveu o presidente.
Em entrevista no hotel, o novo presidente da estatal defendeu que a política de combustíveis é um assunto de governo. "Não quer dizer que seja intervencionista, mais ou menos [intervencionista]. É um assunto de governo, ponto. Porque atinge a todas as empresas, não só a Petrobras", afirmou.
"Ela faz parte desse processo, mas é uma politica que o governo vai dar as diretrizes principais, ministério de Minas e Energia, ministério da Fazenda, conselho nacional de política energética, o próprio presidente, e finalmente a Petrobras e as outras empresas também."
Segundo ele, a discussão da política de combustíveis vai ter uma 'trégua de 30 ou 60 dias para segurar impostos para não voltar já com fato novo relevante como esse."
Ele adiantou que haverá alteração na política de formação de preços dos combustíveis, a chamada PPI (Preço de Paridade Internacional). A política foi alvo de críticas de parlamentares durante a alta recente do preço da gasolina, causada pela valorização do dólar e aumento do preço do barril de petróleo.
"A [PPI] vai ser alterada, mas não necessariamente para traumatizar investidor ou retorno de investimentos. Vai ser alterada porque a política do país vai ser alterada. Petrobras faz politica de preço para clientes dela, é uma empresa, faz politica de preço de acordo com contexto do país", afirmou o senador.
"Mudança de diretrizes de preço vai ser dada por consórcio do governo, Fazenda, Ministério das Minas e Energia, Petrobras também, Conselho Nacional de Política Energética. Esse pessoal vai chegar a alguma coisa de referência que não seja apenas o preço em Roterdã mais despesas para colocar o produto aqui, isso porque 80% é feito aqui. Não faz sentido pagar frete para produto aqui. Não há muito trauma nisso."
O senador lembrou ainda da proposta de criar um fundo de estabilização de preços com receita pública. "Tira de royalties, dividendos da Petrobras. É justo que, quando o acionista majoritário recebeu um lucro exorbitante por uma alta de preço para a qual não contribuiu diretamente, devolva parte disso na forma de atenuação de preço", argumentou. "O fundo é fundamental para época de alta de preços excepcional. De resto, é oscilação normal de preço de petróleo que a gente sempre administrou."
O futuro presidente da estatal afirmou que a criação da conta de estabilização pode ser feita por meio de um projeto de lei, do qual ele próprio foi relator durante a tramitação no Senado. Prates incluiu a proposta em um projeto de lei que trazia medidas para a estabilização dos preços.
O projeto de lei foi aprovado pelos senadores, mas acabou na gaveta da Câmara dos Deputados por resistência do presidente da Casa, Arthur Lira (PP-PI). O deputado é conta o uso dos royalties do petróleo para financiar essa conta.
Além disso, na ocasião, Lira patrocinava uma outra proposta para reduzir os preços dos combustíveis, limitando em até 17% a alíquota do ICMS -- a proposta acabou aprovada e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em nota oficial, Prates se disse honrado pela escolha de Lula e falou dos próximos passos. "Após a posse do novo governo teremos pela frente um processo burocrático, estabelecido pela legislação e pelos sistemas de governança da Petrobras, até que ocorra a formalização do meu nome como presidente da companhia", disse. "Nesta oportunidade, terei a chance de me dirigir ao Conselho da empresa e à sociedade em geral para apresentar de forma detalhada nossos planos para a empresa."
A escolha é vista como uma sinalização de que o futuro governo petista vai manter uma política mais ativa para evitar flutuações nos preços dos combustíveis. Durante a atuação no gabinete de transição, o parlamentar declarou que a política de preços dos combustíveis cabe ao governo, e não à estatal.
Prates integrou o gabinete de transição e foi um dos coordenadores do grupo técnico de Minas e Energia. Ele chegou a ser apontado como um dos candidatos a ministro da pasta, que acabou depois destinada para o PSD —o indicado foi o senador Alexandre Silveira (PSD-MG).
O parlamentar petista é considerado um técnico da área e foi relator do Senado de projetos de lei votados para tentar conter a alta dos preços dos combustíveis. Ele defende a criação de uma conta de estabilização, cujos recursos seriam usados para amenizar o impacto de oscilações nos preços. As possíveis fontes de recursos para essa conta seriam os royalties de petróleo e impostos sobre exportação, entre outros.
O senador assumiu seu mandato em 2019, como suplente de Fátima Bezerra (PT-RN), que foi eleita governadora de seu estado. Ele tem 54 anos e é advogado e economista, com experiência de mais de três décadas atuando nas áreas de petróleo, gás natural, biocombustíveis, energia renovável e recursos naturais.
Foi membro da assessoria jurídica da Braspetro (Petrobras internacional) e secretário de Estado de Energia do Rio Grande do Norte.
Durante a atuação do gabinete de transição, algumas falas de Prates provocaram a reação do mercado, por sugerir que o governo teria uma política mais intervencionista nos preços dos combustíveis.
"Quem define política de preço de qualquer coisa no país, se vai intervir ou não, se vai ser livre ou não, se vai ser internacional ou não, é o governo. O que está errado e a gente tem que desfazer de uma vez por todas é dizer que a Petrobras define política de preços de combustível. Não vai ser assim. Vai seguir a política do governo? Claro", afirmou.
Prates também disse que o novo conselho da Petrobras deve rever a política de distribuição de dividendos.
Integrantes do PT dizem que não há impedimento legal para que ele ocupe o posto —ou seja, não seriam necessárias alterações na Lei das Estatais para que a nomeação fosse realizada.
O estatuto da Petrobras inclui a restrição a integrantes de campanhas políticas. Como mostrou a Folha, especialistas e conselheiros da estatal ainda não têm avaliação sobre possíveis restrições ao nome de Prates.
O senador buscou se afastar formalmente da campanha de Lula e não assumiu funções de coordenação no processo. Ele ajudou nas discussões a respeito de políticas para a área durante a formulação do plano de governo.
