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Papa Francisco critica machismo e diz que mulheres na liderança melhoraram o Vaticano
Papa Francisco critica machismo e diz que mulheres na liderança melhoraram o Vaticano
Por Folha de S. Paulo
06/11/2022 às 17:00
Atualizado em 06/11/2022 às 17:00
Ao se despedir da viagem de três dias ao Bahrein, no Oriente Médio, o papa Francisco afirmou neste domingo (6) que as mulheres em cargos de liderança contribuíram para que o Vaticano melhorasse e provaram que podem ter desempenho superior aos dos homens nas mesmas posições.
"Percebi que toda vez que uma mulher recebe um cargo [de responsabilidade] no Vaticano, as coisas melhoram", disse o pontífice a bordo do avião papal. "As mulheres são um presente. Deus não criou o homem e depois lhe deu um cachorrinho para brincar. Ele criou o homem e a mulher".
A declaração soa como uma crítica velada ao machismo na região. O pontífice foi questionado sobre o papel das mulheres na vanguarda dos protestos no Irã, mas ele preferiu não comentar diretamente as manifestações que eclodiram após a morte, em setembro, de uma jovem curda de 22 anos, três dias após ela ser presa pela polícia moral por supostamente não usar o hijab, o véu islâmico, da forma correta.
Em relação ao Vaticano, o papa Francisco afirmou que "as coisas mudaram para melhor" após as nomeações de mulheres para cargos gerenciais, entre elas a da irmã Raffaella Petrini, vice-governadora da Cidade do Vaticano e responsável pela gestão de aproximadamente 2.000 funcionários.
Francisco também mencionou o impacto de cinco mulheres que ele nomeou para um departamento que supervisiona as finanças do Vaticano.
"Esta é uma revolução porque as mulheres sabem como encontrar o caminho certo para seguir", disse o pontífice, acrescentando que "havia muito machismo" na Igreja Católica e na sociedade em geral.
Líder da Igreja Católica e chefe de Estado do Vaticano, o papa também nomeou mulheres para os cargos de vice-ministra das Relações Exteriores, diretora dos Museus do Vaticano, vice-chefe da Sala de Imprensa do Vaticano, bem como quatro conselheiras do Sínodo dos Bispos, que prepara grandes reuniões.
o papa Francisco abriu o que pretende ser o maior movimento de consulta democrática da história da Igreja Católica Criado no ano passado, o sínodo da sinodalidade (maneira de ser e de agir da Igreja) é o maior movimento de consulta democrática da história da Igreja, marcada por séculos de hierarquia rígida, conservadorismo e pouca transparência.
Espera-se que o movimento ajude o Vaticano a acelerar a maior participação feminina na tomada de decisões e a intensificar o acolhimento a grupos ainda marginalizados pelo catolicismo tradicional —de homossexuais a divorciados em segunda união.
Ao final das discussões, porém, as decisões seguem como sempre: respeitando a hierarquia tradicional —apesar do caráter democrático da consulta pública, caberá ao papa a palavra final sobre os temas propostos.
No Bahrein, o papa também condenou a pena de morte e defendeu a liberdade religiosa. O país árabe, um emirado sunita desde o século 18, é acusado de perseguir xiitas e de violar os direitos humanos de presos.
Neste domingo, o papa também rezou pela "Ucrânia martirizada" e pediu que a guerra termine após mais de oito meses de conflito. Antes, Franisco pediu a autoridades religiosas do Bahrein que ajudem a trazer o mundo de volta da "beira do precipício" e que se oponham a uma nova corrida armamentista que, segundo o pontífice, está redesenhando as esferas de influência formadas no período da Guerra Fria.
Essa é a segunda viagem de um papa à Península Arábica —a primeira, também feita por Francisco, foi em 2019, aos Emirados Árabes Unidos. A atual visita do pontífice chamou a atenção para os conflitos entre o regime barenita e a comunidade xiita do país, responsável por liderar grandes protestos pró-democracia durante a Primavera Árabe, em 2011.
