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Coligação de Lula vai pedir a prorrogação das eleições após operações da PRF

Coligação de Lula vai pedir a prorrogação das eleições após operações da PRF

Por Mônica Bergamo, Folhapress

30/10/2022 às 16:46

Atualizado em 30/10/2022 às 16:46

Foto: Marcos Oliveira /Agência Senado/Arquivo

'O que aconteceu nesse dia foi criminoso', diz Gleisi Hoffmann

A coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prorrogação do horário de votação nos mais de 500 locais que registraram operações coordenadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) neste domingo (30). A maioria delas ocorreu na região Nordeste.

Para petistas, as blitze, além de desrespeitar decisão da corte eleitoral, teriam prejudicado a candidatura do ex-presidente.

A informação foi confirmada à coluna pela presidente nacional do PT, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PR). "Essa operação da PRF não foi normal, concentrada no Nordeste. Só lá tem ônibus ou carros com problemas no pneu ou irregularidades? Por que fazer isso no domingo das eleições?", afirma.

"Os ônibus eram do serviço público ou de empresas que atuam sempre. Só se preocuparam hoje? O que aconteceu nesse dia foi criminoso. O povo do Nordeste precisa ter o direito de votar livremente", segue.

Como revelou a Folha, números internos da PRF mostram que o órgão já realizou 514 ações de fiscalização contra ônibus até as 12h35 deste domingo.

O volume de abordagens no segundo turno já é 70% maior do que o que foi registrado na primeira etapa do pleito, no dia 2 de outubro —não é possível estimar se elas ocorrem antes ou depois da votação desses passageiros.

Dados da Polícia Rodoviária Federal obtidos pela Folha ainda mostram que houve ao menos 82 abordagens somente a ônibus em Alagoas durante a realização do processo eleitoral.

O diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, esteve no prédio do Tribunal Superior Eleitoral no início desta tarde. Em reunião com o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, Vasques se comprometeu a interromper todas as abordagens em ônibus e a obedecer a decisão do ministro.

Ao se pronunciar sobre as operações, Moraes afirmou que nenhum eleitor foi impedido de votar por causa de operações feitas pela PRF. E disse que elas serão investigadas.

"O prejuízo que causou aos eleitores, eventualmente, foi o atraso. Mas volto a dizer, nenhum ônibus voltou à origem. Todos votaram", disse o ministro.

No sábado (29), o presidente do TSE proibiu a realização de qualquer operação pela Polícia Rodoviária Federal contra veículos utilizados no transporte público de eleitores. O ministro também proibiu da divulgação do resultado de operações da Polícia Federal relacionadas às eleições.

O magistrado afirmou em sua decisão que o descumprimento da decisão poderá acarretar a responsabilização criminal dos diretores das corporações por desobediência e crime eleitoral.

Como mostrou a coluna, mais cedo a coligação Brasil da Esperança, integrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e formada por PT, PC do B e Partido Verde, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a prisão imediata de Vasques por supostamente coordenar operações para dificultar o acesso de eleitores aos seus locais de votação.

Vasques chegou a publicar nas redes sociais uma imagem pedindo voto no presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele postou uma foto da bandeira do Brasil com as frases "vote 22. Bolsonaro presidente". Após repercussão, a publicação foi apagada neste domingo.

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