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O futuro que aguarda a vice-prefeita Ana Paula Matos na Bahia, por Raul Monteiro*
O futuro que aguarda a vice-prefeita Ana Paula Matos na Bahia, por Raul Monteiro*
Por Raul Monteiro*
11/08/2022 às 06:51
Atualizado em 11/08/2022 às 06:51
Foto: Divulgação

Ofuscada pela surpresa que marcou o anúncio da empresária Ana Coelho como candidata a vice de ACM Neto (União Brasil), na semana passada, a escolha da vice-prefeita de Salvador Ana Paula Matos (PDT), também para companheira de chapa do presidenciável Ciro Gomes (PDT), não passou despercebida da classe política. Menos pelo perfil da nova candidata, considerada uma figura discreta porém bastante ativa na gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil), do que pelo alcance da indicação de seu nome para participar de uma disputa presidencial, apesar das baixas expectativas eleitorais que cercam hoje Ciro.
Ana Paula está absolutamente à altura do desafio. É definida por quem com ela atua como uma mulher guerreira e conhecida pela grande capacidade de trabalho. Escolha pessoal de Bruno, que convenceu ACM Neto (DEM) a bancar sua indicação para a chapa à Prefeitura em 2020, no Palácio Thomé de Souza não há quem duvide de que dá o suporte necessário de que o prefeito precisa para desempenhar suas funções tanto no plano político quanto administrativo. Exatamente por isso, não é para a missão que recebeu agora que as expectativas se voltam, mas, principalmente, para o momento posterior ao pleito de outubro.
A vice de Bruno surgiu no cenário como uma alternativa para ajudar na campanha de Ciro dentro de um acordão pelo qual ACM Neto e o prefeito buscaram compensar o PDT nacional e local pela ausência da sigla na chapa ao governo. Assim como o deputado federal Marcelo Nilo, hoje no Republicanos, mas então no governista PSB, o partido do deputado federal Félix Mendonça Jr., que balançava entre Neto e Jerônimo Rodrigues, candidato do PT, contava em ocupar um dos dois cargos restantes da majoritária quando o PP surgiu lépido e fagueiro para uma composição com o ex-prefeito de Salvador depois de um ruidoso rompimento com o PT e o governador Rui Costa.
O que o candidato a governador negociou com Nilo, que fora fortemente cotado para vice, até agora não vazou, mas do pacote de compensações para o PDT passaram a figurar o apoio nacional a Ciro por meio da indicação de um quadro de alta conta do grupo, o qual foi acertado diretamente com o presidente nacional Carlos Lupi e o próprio presidenciável, alguns penduricalhos e espaços nada desprezíveis para Félix e até a indicação de uma sua irmã, Andrea, para uma vaga em um dos dois Tribunais de Contas na eventualidade de Neto se eleger, o que significa, na prática, a garantia de um salário e uma aposentadoria polpudos para ninguém botar defeito.
Essa é, naturalmente, a parte visível do entendimento. A outra sobre a qual já se especula com intensidade, embora ninguém consiga ainda confirmar, diz respeito à cancha que Ana Paula obterá na curta campanha de 45 dias da qual participará ao lado de Ciro, capaz de fortalecer suas públicas credenciais, naturalmente, para assumir a posição de presidente do PDT na Bahia, cargo hoje exercido por um Félix cujos meios que o acusam de ter empregado para detonar um adversário na atual sucessão acabaram abalando a confiança de que desfrutava junto aos caciques nacionais da sigla e o queimado nos meios políticos e no próprio grupo liderado por Neto.
* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.
