Moraes só acionou a PGR após determinar operação contra empresários
Por Juliana Braga/Folhapress
23/08/2022 às 12:59
Atualizado em 23/08/2022 às 12:59
Foto: Nelson Jr./Arquivo/STF

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes só notificou a PGR (Procuradoria-Geral da República) nesta segunda-feira (22) a respeito da operação contra empresários bolsonaristas, ou seja, após ter tomado a decisão de autorizá-la.
Fontes na PGR, no entanto, afirmam que a notificação sequer chegou e não consta no sistema.
As diligências foram solicitadas pela Polícia Federal (PF) e autorizadas por Moraes, sem que o Ministério Público se manifestasse a respeito. Como já fez em outras ocasiões, o ministro só acionou a PGR para sugerir diligências e acompanhar a operação depois de já tê-la determinado.
A atuação de Moraes tem gerado críticas de integrantes do Ministério Público, que afirmam que o órgão acusatório precisa ser ouvido antes. O presidente Jair Bolsonaro (PL) chegou a protocolar ação contra o magistrado por abuso de autoridade por ter driblado um pedido da PGR de arquivamento do inquérito dos atos antidemocráticos abrindo outro, o de milícias digitais, com investigações semelhantes.
A PF cumpre, na manhã desta terça (23), mandados de busca contra empresários que em um grupo de mensagens defenderam um golpe de Estado, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais.
Além das buscas, o Moraes também autorizou que os empresários sejam ouvidos pela PF e o bloqueio de redes sociais.
Entre os alvos estão Luciano Hang, da Havan, José Isaac Peres, da rede de shopping Multiplan, Ivan Wrobel, da Construtora W3, José Koury, do Barra World Shopping, André Tissot, do Grupo Sierra, Meyer Nigri, da Tecnisa, Marco Aurélio Raymundo, da Mormaii, e Afrânio Barreira, do Grupo Coco Bambu.
