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IPCA-15 tem deflação de 0,73% em agosto

IPCA-15 tem deflação de 0,73% em agosto

Por Leonardo Vieceli/Folhapress

24/08/2022 às 09:10

Atualizado em 24/08/2022 às 09:10

Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo/Agência Brasil

IPCA-15 tem deflação de 0,73% em agosto

Influenciado pela baixa nos preços dos combustíveis, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) teve deflação (queda) de 0,73% em agosto, informou nesta quarta-feira (24) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

É a menor taxa já registrada desde o início da série histórica, iniciada em novembro de 1991. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam um recuo mais intenso, de 0,82%. Em julho, o IPCA-15 havia registrado inflação (alta) de 0,13%.

Apesar da trégua em agosto, o índice ainda acumulou avanço de 9,60% em 12 meses. Nesse recorte, a alta era de 11,39% até julho.

O índice oficial de inflação no Brasil é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), também divulgado pelo IBGE.

Como a variação do IPCA é calculada ao longo do mês de referência, o dado de agosto ainda não está fechado. Será conhecido no dia 9 de setembro.

O IPCA-15, pelo fato de ser divulgado antes, sinaliza uma tendência para os preços. O indicador prévio costuma ser calculado entre a segunda metade do mês anterior e a primeira metade do mês de referência da divulgação. Ou seja, neste caso, a coleta do IPCA-15 ocorreu de julho a agosto.

A carestia de bens e serviços às vésperas das eleições pressiona o governo Jair Bolsonaro (PL), que teme os efeitos da perda do poder de compra dos brasileiros.

Para tentar reduzir os danos, o presidente aposta em um pacote de benefícios turbinados, incluindo o Auxílio Brasil, e no corte de tributos, que alcançou parte dos preços.

Na reta final de junho, Bolsonaro sancionou projeto que definiu teto para a cobrança de ICMS (imposto estadual) sobre combustíveis, energia elétrica, transporte e telecomunicações. A medida resultou em baixa nos preços de produtos como a gasolina.

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 segue distante da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA. O centro da medida de referência é 3,50%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima (5%) ou para baixo (2%).

Com o corte tributário sobre os combustíveis, analistas do mercado financeiro passaram a reduzir as projeções para o IPCA em 2022. Mesmo assim, o país caminha para o segundo ano consecutivo de descumprimento da meta de inflação.

A alta prevista pelo mercado para o IPCA é de 6,82% até dezembro, de acordo com a mediana do boletim Focus publicado na segunda-feira (22) pelo BC.

De acordo com analistas, a perda de receitas com tributos traz riscos para o quadro fiscal, com possíveis impactos negativos sobre a inflação mais à frente.

Para tentar conter a carestia, o BC vem subindo os juros, o que desafia a recuperação do consumo das famílias e encarece os investimentos produtivos das empresas. A taxa básica de juros, a Selic, foi para 13,75% ao ano em agosto.

Na terça-feira (23), o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que o Brasil terá dois ou três meses de queda de preços e que a inflação encerrará 2022 em torno de 6,5% ou um pouco abaixo.

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