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Demissões de secretários indicam golpe final para governo de Boris Johnson

Demissões de secretários indicam golpe final para governo de Boris Johnson

Por Folhapress

05/07/2022 às 17:35

Atualizado em 05/07/2022 às 17:35

Foto: Reprodução/Reuters/Arquivo

O premiê inglês Boris Johnson

Uma série de renúncias no governo britânico nesta terça (5) voltou a colocar o premiê Boris Johnson na situação com a qual ele mais se acostumou a viver nos últimos meses: crise.

A saída de dois dos membros mais experientes da gestão —Rishi Sunak e Sajid Javid, secretários de Finanças e Saúde—, indica que esse pode ser o golpe final após uma série de turbulências vividas pelo primeiro-ministro, do "partygate" à acusação de assédio sexual, da qual Boris teria ciência e nada teria feito, contra um aliado de seu partido.

Depois dos ministros renunciarem, foi a vez de Bim Alofami, um dos vice-presidentes do Partido Conservador, de Boris, anunciar numa entrevista ao vivo na TV que deixava o cargo. Minutos mais tarde, outros três parlamentares, Saqib Bhattti, Nicola Richards e Jonathan Gullis, publicaram no Twitter suas cartas de renúncia. Outra deputada a sair foi Virginia Crosbie.

Ao anunciar a saída, Javid, que comandava a pasta de Saúde, escreveu em comunicado que não poderia permanecer no cargo em "sã consciência". Na sequência, Sunak também anunciou sua demissão.

O agora ex-ministro das Finanças teria entrado em conflito com o premiê privadamente. Sunak falou que deixar o cargo enquanto o mundo sofre as consequências econômicas da pandemia, a guerra na Ucrânia e outros desafios sérios "é uma decisão que eu não tomo de espírito tranquilo."

"No entanto, o público espera com razão que o governo seja conduzido de forma adequada, competente e séria. Reconheço que este pode ser meu último cargo ministerial, mas acredito que vale a pena lutar por esses padrões e é por isso que estou me demitindo", acrescentou.

Muitos deputados e o público perderam a confiança na capacidade de Boris de governar de acordo com o interesse nacional, afirmou Javid. "Lamento dizer, no entanto, que está claro para mim que esta situação não mudará sob sua liderança —e, portanto, você também perdeu minha confiança", escreveu o parlamentar em carta ao premiê.

Em uma carta dirigida aos agora ex-ministros, Boris disse que lamentava as renúncias.

Tanto Sunak quanto Javid apoiaram publicamente Boris no escândalo sobre a conduta de seu governo durante o auge da pandemia —um relatório apontou que Downing Street era sede de festas que desrespeitavam o lockdown imposto aos britânicos em 2020, e o premiê teria participado de oito.

O substituto de Javid na pasta da Saúde será Steve Barclay, chefe do gabinete de Boris.

Apesar das deserções, o premiê mantém o apoio de nomes de peso, como a secretária das Relações Exteriores, Liz Truss, e o secretário de Defesa, Ben Wallace.

O líder da oposição, o trabalhista Keir Starmer, afirmou que aqueles que apoiaram Boris foram cúmplices na forma como ele desempenhou seu trabalho e que apoiaria eleições antecipadas. "Depois de todo o desprezo, os escândalos e o fracasso, está claro que este governo está entrando em colapso", acrescentou. "Precisamos de um novo começo para o Reino Unido".

As renúncias ocorrem no dia em que Boris pediu desculpas por não ter percebido que Chris Pincher, vice-chefe do cargo conhecido como "chief whip" (chicote chefe) —responsável pela disciplina parlamentar dos deputados—, não tinha o perfil adequado para o cargo devido às denúncias de que ele assediou dois homens.

"Olhando em retrospectiva, foi a coisa errada a se fazer. Peço desculpas a todos que foram gravemente afetados por isso", disse o primeiro-ministro britânico às emissoras.

Fontes anônimas relataram a veículos britânicos que Pincher teria assediado sexualmente dois homens, um dos quais um deputado, num clube privado no centro de Londres. O parlamentar renunciou na quinta (30), e sua saída desencadeou dias de mudança na narrativa de Downing Street sobre o que o Boris sabia a respeito do comportamento de Pincher.

O colapso do governo acontece apenas um mês depois de Boris ter sobrevivido a um voto de desconfiança, mecanismo que poderia tê-lo tirado do governo. Sob as regras atuais, ele está a salvo pelo prazo de um ano, mas seu partido pode rever as normas e tentar um novo voto de desconfiança —este foi o pedido do deputado Anthony Browne, em carta publicada em seu Twitter.

Depois das renúncias nesta terça, Jacob Rees-Mogg, ministro para oportunidades do brexit, disse à rede Sky News que viu Boris. Questionado sobre o humor do primeiro-ministro, afirmou: "Ah, o trabalho continua da mesma forma. Ele tem um trabalho a fazer".

Rees-Mogg também disse que vai continuar apoiando Boris. "O primeiro-ministro ganhou um grande mandato em uma eleição geral, um voto do povo britânico e isso não deve ser tirado dele porque várias pessoas renunciam".

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