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Rússia diz ter 'controle total' de cidade-chave para avanço no Donbass

Rússia diz ter 'controle total' de cidade-chave para avanço no Donbass

Por Folhapress

28/05/2022 às 10:42

Atualizado em 28/05/2022 às 10:42

Foto: Aris Messinis / AFP

Moscou diz ter capturado Liman, centro ferroviário próximo a principal alvo no leste da Ucrânia

Forças russas atacam neste sábado (28) a maior cidade do Donbass ainda sob domínio da Ucrânia, Sievierodonetsk, depois de capturarem Liman, um centro ferroviário próximo, de acordo com o Kremlin. Após vários dias de combate, o Ministério da Defesa russo afirmou que Liman está sob total controle de Moscou —uma vitória que ajudaria a preparar o terreno para a próxima fase da ofensiva na região do Donbass, no leste ucraniano.

Separatistas pró-Rússia da autoproclamada república popular de Donetsk já tinham dito na sexta que haviam capturado a cidade, localizada a oeste de Sievierodonetsk, foco principal da ofensiva moscovita. O próprio governo ucraniano admitiu que os russos tinham tomado grande parte de Liman, apesar de, segundo Kiev, forças do país ainda bloquearem um avanço para Sloviansk, 20 km a sudoeste.

"A situação no Donbass é muito, muito difícil", disse o presidente Volodimir Zelenski. "Protegemos a nossa terra e fazemos tudo para reforçar" a defesa da região, completou. Em seu discurso noturno, Zelenski permaneceu desafiador. "Se os ocupantes pensam que Liman e Sievierodonetsk serão deles, eles estão errados. O Donbass será ucraniano", disse.

O governador da região de Lugansk, que junto com Donetsk compõe o Donbass, havia dito na sexta-feira que tropas russas entraram em Sievierodonetsk. As Forças Armadas da Ucrânia afirmaram neste sábado que a Rússia efetuou ataques de artilharia na área da cidade, mas "sem sucesso".

O comunicado ucraniano afirma que as tropas de Kiev repeliram oito ataques em Donetsk e Lugansk nas últimas 24 horas, mas que vários ataques russos atingiram infraestrutura e comunidades próximas à grande cidade de Kharkiv. No sul, onde Moscou conquistou uma faixa de território desde a invasão, incluindo o porto de Mariupol, autoridades ucranianas dizem que a Rússia pretende impor um governo permanente.

Também neste sábado, a Rússia disse ter usado ataques com mísseis para destruir postos de comando da Ucrânia em Bakhmut e Soledar. Ambas as cidades estão perto de uma estrada estrategicamente importante que vai a sudoeste de Lisichansk e Sievierodonetsk. De acordo com o Kremlin, as forças de Moscou destruíram cinco postos de comando e de observação, atingiram áreas em que soldados e esquipamentos da Ucrânia estavam localizados e acabaram com depósitos de munições próximos aos municípios de Nirkove, Bakhmut e Mironivka. A agência de notícias Reuters não conseguiu confirmar de maneira independente as afirmações da Rússia.

NOVO ÍMPETO

Os ganhos russos indicam uma mudança no ímpeto da guerra. Embora as forças que invadiram a Ucrânia em 24 de fevereiro não tenham conseguido capturar a capital, Kiev, no estágio inicial do conflito, estão agora fazendo avanços lentos mas constantes no Donbass, grande parte do qual já era controlado por separatistas apoiados por Moscou antes da guerra.

As táticas envolvem bombardeios de artilharia em massa e ataques aéreos que devastaram vilas e cidades.

"Se a Rússia conseguisse assumir essas áreas, isso provavelmente seria visto pelo Kremlin como uma conquista política substantiva e seria mostrado ao povo russo como justificando a invasão", afirmou o Ministério da Defesa britânico neste sábado, em seu relatório diário de inteligência.

Segundo o briefing britânico, o controle de uma ponte sobre o rio Siverski Donets, perto de Liman, daria à Rússia uma vantagem na potencial próxima fase da ofensiva, e as forças russas provavelmente tentarão cruzar o rio nos próximos dias.

O presidente russo, Vladimir Putin, diz empreender uma "operação militar especial" para desmilitarizar a Ucrânia e libertar a população russófona do risco do que chama de genocídio. Tanto Kiev quanto países do Ocidente afirmam que as justificativas são falsos pretextos para atacar o país.

RÚSSIA ELIMINA IDADE MÁXIMA PARA SERVIÇO MILITAR

Neste sábado (28), a agência estatal russa RIA Novosti noticiou que o presidente Vladimir Putin assinou uma lei eliminando o limite máximo de idade para o serviço militar.

Até agora, a faixa etária permitida era de 18 a 40 anos para cidadãos e de 18 a 30 anos para estrangeiros.

Segundo uma nota que acompanha o decreto publicado no portal jurídico oficial, a operação de armas e equipamentos militares de alta precisão requer "especialistas altamente profissionais", que geralmente chegam a esse patamar por volta dos 40 a 45 anos.

De acordo com os autores da lei, aprovada pelo Parlamento há três dias, as mudanças permitirão atrair para o serviço militar pessoas especializadas principalmente em operações civis -como apoio médico, engenharia e comunicações.

Os primeiros contratos sob a nova legislação serão feitos com russos e estrangeiros que tenham menos de 50 anos, afirmou o vice-chefe do Ministério da Defesa russo, Nikolai Pankov.

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