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Rodrigo Garcia evita tratar Doria como candidato e endurece discurso sobre segurança

Rodrigo Garcia evita tratar Doria como candidato e endurece discurso sobre segurança

Por Arthur Rodrigues/Folhapress

04/05/2022 às 11:59

Atualizado em 04/05/2022 às 11:59

Foto: Divulgação

Rodrigo Garcia

O governador de São Paulo e pré-candidato ao cargo, Rodrigo Garcia (PSDB), evitou tratar o ex-governador João Doria (PSDB) como candidato à Presidência da República e disse que a polícia vai reagir e atirar em criminosos.

As afirmações foram feitas durante sabatina realizada por Folha e UOL com postulantes ao Palácio dos Bandeirantes.

Rodrigo Garcia alcançou 6% na pesquisa Datafolha de abril, empatado no limite da margem de erro com Tarcísio de Freitas (Republicanos). A corrida é liderada por Fernando Haddad (PT), com 29%, à frente de Márcio França (PSB), com 20%.

Rodrigo assumiu o cargo no início de abril, após João Doria (PSDB) deixar o cargo para tentar se viabilizar como candidato a presidente. No entanto, depois disso, o PSDB decidiu que a escolha seria feito entre partidos da chamada terceira via, grupo formado também pelo União Brasil e MDB.

Questionado diversas vezes sobre o assunto, Rodrigo não tratou Doria como candidato ao Planalto.

O governador defendeu as credenciais de Doria, as prévias do partido e disse que ele é o mais experiente dos pré-candidatos. No entanto, afirmou que o nome dele deve ser submetido aos partidos da terceira via e citou credenciais também de Simone Tebet (MDB), a quem classificou como uma "mulher de fibra" e "com muita experiência".

O tucano disse que através de pesquisas o grupo vai identificar o "que melhor representa o futuro do Brasil".

"Entendemos que o centro democrático, os partidos que não querem eleger nem Lula nem Bolsonaro escolhem um único candidato. Esse esforço da melhor via está sendo feito", disse. "Eu vou lutar enquanto governador, agente político, para que a gente consiga manter esse centro democrático unido".

Rodrigo repetiu o discurso de que não é candidato de ninguém e tenta se esquivar da nacionalização da corrida ao governo. "Eu não sou candidato de A ou de B, sou candidato da minha história, de tudo que construí por São Paulo e pelo que penso para o futuro de São Paulo. São Paulo não vai andar na garupa de ninguém nessas eleições nacionais".

Em uma entrevista em que tentou fugir de respostas polêmicas, o governador falou sobre os bastidores do dia em que João Doria ameaçou não deixar o governo, uma vez que há relatos de grande tensão no Palácio dos Bandeirantes na ocasião.

"Existiu uma avaliação se ele concluiria essa decisão da renúncia, de buscar a candidatura presidencial, eu respeitei em todos os momentos a decisão que era unilateral dele e ao final do dia 31 ele tomou a decisão de sair do cargo para disputar a Presidência", disse. Rodrigo afirmou que, se não tivesse terminado assim, não saberia qual seria sua decisão sobre seu futuro político.

Sobre a corrida nacional, Rodrigo fugiu de respostas sobre se preferia Bolsonaro ou Lula. "Não vou ter essa encruzilhada, a melhor via vai para o segundo turno", disse.

Rodrigo também disse que o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) errou ao virar pré-candidato a vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu respeito a história do Geraldo Alckmin, mas não faria o que ele fez".

Na segurança pública, ele reafirmou discurso duro e disse que "a ordem minha é que se cumpra a lei em São Paulo". "Dou sim uma palavra muito dura de proteção ao cidadão de bem e de combate à criminalidade".

"Bandido que aqui cometer crime em São Paulo vai ser preso. Bandidos que reagirem e levantarem a arma para a polícia vão tomar bala. Falei isso sim porque acredito que a polícia deve e vai reagir contra o crime. Bandido que não quer ser morto não reaja quando for abordado. É defender a vida do policial e fazer com que ele possa dentro dos limites da lei exercer a sua atividade", disse.

A linha tomada por Rodrigo lembra a adotada por Doria, que assumiu um discurso repressivo nas eleições de 2018 e pegou carona no bolsonarismo. Na ocasião, o tucano disse que em seu governo a polícia iria atirar para matar.

Questionado sobre a onda de roubos, o governador afirmou que os casos acontecem porque a vida está voltando ao normal, citando que os números atuais são parecidos com 2019, antes da pandemia. "É um novo governo, um novo momento e estamos diante de vários problemas que estão vindo aí. Essa quadrilha do pix um ano atrás não existia, esse volume de roubo de celulares não existia", disse.

Rodrigo afirmou que haverá blitze contra falsos entregadores que praticam roubos na cidade. Também disse ser a favor das câmeras corporais em uniformes policiais e que a política será mantida.

Ele ainda repercutiu afirmação do pré-candidato Márcio França (PSB), que disse que em seu governo não existiria mais cracolândia em dois anos. "Não é uma tarefa simples, eu já vi gente prometendo que vai acabar com dois ou três anos, é uma tarefa permanente e nós não vamos desistir enquanto não vir a situação melhor ali na cracolândia".

Na educação, o governo afirmou ser a favor de cobrança de mensalidade em universidades públicas.

A entrevista com o governador foi conduzida pela apresentadora Fabíola Cidral, pelo colunista do UOL Leonardo Sakamoto e pela jornalista da Folha Carolina Linhares.

Outras sabatinas estão confirmadas: Vinicius Poit (Novo), nesta quarta, às 16h; Altino Junior (PSTU), no dia 5, às 10h; Gabriel Colombo (PCB), no dia, às 16h; Tarcísio de Freitas (Republicanos), no dia 6, às 10h; e Fernando Haddad (PT), no dia 6, às 16h. As sabatinas são ao vivo, e cada pré-candidato tem direito a 60 minutos de fala. Veja aqui todas as datas.

RAIO-X: RODRIGO GARCIA

Nasceu em maio de 1974, em Tanabi (SP). Atual governador de São Paulo, foi criado em São José do Rio Preto (SP), é advogado e dono de uma empresa de agropecuária. Começou a trabalhar como assistente técnico na Câmara dos Deputados e alcançou espaço na política como deputado estadual, federal e secretário estadual. Foi aliado de Gilberto Kassab (PSD). Foi secretário de Governo e vice-governador do Estado.

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