Novo ministro de Bolsonaro diz que mulher engravida e falta mais no trabalho
Por Mônica Bergamo/Folhapress
12/05/2022 às 17:00
Atualizado em 12/05/2022 às 19:44
Foto: Edu Andrade/Ministério da Economia/Arquivo

Trechos de discursos machistas do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, têm circulado nas redes sociais. Em um deles, o economista afirma que muito do que é chamado de discriminação no mercado de trabalho, na verdade, ele define como "comportamento racional" dos empresários porque mulher engravida e "falta mais para ir ao médico" do que os homens.
"Não necessariamente é discriminação, é simplesmente o comportamento racional do empresário [...] Se o casal tiver um filho provavelmente é a mulher que vai cuidar do filho. Aí você vai dizer para mim: 'Adolfo, mas o homem fica bêbado mais que a mulher? Fica. Então, menos para o homem neste ponto. Mas também quem vai mais ao médico é a mulher, então, ela vai faltar mais para ir ao médico. O empresário está fazendo essas contas", diz.
No mesmo vídeo, ao explicar o que significa o termo a priori, Sachsida diz que quando você bate o olho numa mulher e a vê "com um bustiezinho, uma calça colada, você fala assim: 'pô, essa mulher deve ser solteira'". "Pode me chamar de machista à vontade", continua ele.
Em outro trecho, ele afirma que a licença maternidade de seis meses é um "crime contra a mulher". "Cara, você consegue imaginar uma empresa ficar seis meses sem o seu gerente? Não tem jeito. Quando eu fui contra essa ideia de dar licença maternidade de seis meses, o pessoal me xingou. Não é nada disso, é que eu me preocupo com as mulheres".
No vídeo —nomeado como "Aprenda Economia com o Sachsida: Aula 7" e publicado há seis anos em seu canal no YouTube— o novo ministro aponta também que um dos motivos para a desigualdade salarial entre os gêneros é que os homens topam jornadas de trabalho mais extensas do que as mulheres.
"Você conversa com seus amigos e suas amigas e pergunta: 'Quem de vocês topa trabalhar 12 horas por dia durante 15 anos para daqui 15 anos ser o chefe ganhando mais?' Você vai ver que uma proporção maior de homens topa isso. Talvez seja fator cultural, social, não sei", diz.
"Você vai ver que uma magnitude expressiva de mulheres prefere uma jornada menor. Ou porque precisa ficar com os filhos ou porque ela pretende ficar mais com a família ou porque ela acha que a regra de sustentação é do homem. Eu não sei a explicação, eu sei do resultado", afirma.
Sachsida diz ainda que é contra as cotas raciais e que alemães, italianos e japoneses foram mais "maltratados" no Brasil nos últimos anos do que os negros.
"É difícil argumentar que 200 anos depois do final da escravidão exista uma dívida histórica [com os negros]", afirmou. "Se tem algo que o Brasil pode ensinar para o mundo é a maneira como as raças interagem. Olha a minha cor aqui ó [ele mostra o braço], eu sou branco, eu sou negro. A minha irmã é mais escura do que eu. Ela é branca, ela é negra", diz.
Procurado, o Ministério de Minas e Energia não se manifestou até a conclusão deste texto.
