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'Não podemos nos desviar de preços de mercado', diz presidente da Petrobras

'Não podemos nos desviar de preços de mercado', diz presidente da Petrobras

Por Nicola Pamplona/Folhapress

06/05/2022 às 11:59

Atualizado em 06/05/2022 às 11:59

Foto: Valter Campanato/Arquivo/Agência Brasil

José Mauro Coelho

Após novas reclamações do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre os elevados lucros da Petrobras, o presidente da estatal, José Mauro Coelho, voltou a defender nesta sexta-feira (6) a política de preços dos combustíveis da companhia.

"Não podemos nos desviar da prática de preços de mercado, condição necessária para a geração de riqueza não só para a companhia mas para toda a sociedade brasileira, fundamental para atrair investimentos para o país e para garantir o suprimento de derivados que o Brasil precisa importar", disse.

A declaração foi dada em discurso de abertura de teleconferência com analistas para detalhar o lucro de R$ 44,5 bilhões no primeiro trimestre de 2022, que motivou anúncio de distribuição de R$ 48,5 bilhões em dividendos aos acionistas.

Pouco antes da divulgação do resultado, Bolsonaro disse em sua live semanal que os elevados lucros da Petrobras são um "estupro", um "absurdo" e que um novo reajuste nos preços dos combustíveis pode quebrar o país.

"A gente apela para a Petrobras: 'não reajuste o preço dos combustíveis'. Vocês estão tendo um lucro absurdo. Se continuar tendo lucro dessa forma e aumentando o preço dos combustíveis, vai quebrar o Brasil", disse o presidente.

Os elevados lucros da estatal são alvo de críticas tanto no governo quanto na oposição, diante da alta dos preços dos combustíveis no país. Empresas de transporte público, por sua vez, divulgaram nota ameaçando tirar ônibus de circulação fora dos horários de pico no caso de uma nova alta do diesel.

A Petrobras, porém, também é alvo de postos e importadores, que reclamam da falta de reajustes e consequente defasagem em relação aos preços internacionais. Esse cenário estaria provocando um "racionamento seletivo", ao prejudicar empresas de menor porte, incapacitadas de importar.

A preocupação com o abastecimento é um dos argumentos que vem sendo repetido por Coelho em defesa da política de preços, desde que ele ainda ocupava um cargo no MME (Ministério de Minas e Energia). Nesta sexta, ele voltou a lembrar que o Brasil depende de diesel e gasolina importados.

Coelho foi indicado pelo governo para substituir o general Joaquim Silva e Luna, demitido após os mega-aumentos de preços anunciados em março para acompanhar a escalada do petróleo após o início da Guerra na Ucrânia.

Mas logo na sua posse defendeu a prática de preços internacionais. Nesta sexta, disse que o resultado do primeiro trimestre é "prova inequívoca de que a Petrobras é uma empresa da qual todos os nossos acionistas e brasileiros podem se orgulhar".

O desempenho foi beneficiado pela valorização do petróleo, maiores exportações e melhores margens na venda de diesel. É 3.718% superior aos R$ 1,1 bilhão registrados no mesmo período de 2021, ainda sob forte efeito da queda nos preços e na demanda provocada pela pandemia.

Vem logo depois do maior lucro anual da história da Petrobras, de R$ 106,6 bilhões, que levou a empresa a distribuir R$ 101,4 bilhões em dividendos.

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