Movimento Negro Unificado realiza em Recife o 19º congresso nacional
Por Redação
13/05/2022 às 15:27
Atualizado em 13/05/2022 às 16:25
Foto: Divulgação

Com o lema “Aquilombar é preciso: 522 anos de construção, crescimento e resistência pelo legado de Dandara e Zumbi com a lança nas mãos”, acontece em Recife, Pernambuco, o 19º congresso do Movimento Negro Unificado “Luiza Barros”.
O encontro da maior entidade negra vai até domingo (15) e reúne mais de 300 delegados de todos os estados do Brasil, além de convidados e aliados da luta antirracista.
Além de debater novas estratégias para o enfrentamento do combate ao racismo, um dos objetivos do congresso é ampliar a mobilização da militância, fortalecer a luta antirracista contra todas as formas de discriminação, ampliar a relação do MNU com os movimentos sociais, tanto nacionais quanto internacionais, atualizar o Plano de Lutas do MNU e eleger a nova Coordenação Nacional.
Segundo Ieda Leal, coordenadora nacional do MNU Construído, o encontro está sendo organizado por meio do processo participativo e democrático, com metodologia fundamentada no estatuto, no Programa de Ação e na Carta de Princípios do MNU.
“Nosso congresso foi realizado um dia antes da falsa abolição, 13 de maio, reunidos em Pernambuco, na terra de Zumbi e Dandara, na luta antirracista, antifascismo, contra o machismo, e contra todas as violências que o povo negro vive. Nós vamos aqui nas diversas mãos, corpos, mentes e corações reunidos, e queremos dizer para o Brasil que o MNU com seus 44 anos [em julho] tem muito a contribuir com o desenvolvimento do nosso país. Nós queremos e vamos ocupar os nossos espaços na nossa sociedade, para isso é necessário construirmos um projeto de reparação. Precisamos dar o tom na luta contra o racismo”, afirma.
O congresso é em homenagem a Luiza Bairros, primeira coordenadora nacional do MNU, uma das mais importantes militantes e pensadoras da luta antirracista no Brasil. E também a 522 negros (criança, adolescentes, jovens e adultos) cruelmente assinados neste país, que mantem em curso um projeto de genocídio contra a da população negra.
“Por Marielie Franco, João Alberto Freitas, Agatha Felix, Cláudia Silva Ferreira, Mestre Moa, Luana Barbosa, Miguel, e por todos e todas aqueles e aquelas que foram vítimas da violência racial, que tombaram pela mão do Estado", frisa a coordenadora.
Milton Barbosa é um dos fundadores do MNU e conta que a entidade historicamente faz o papel de enfrentamento do racismo e da reestruturação da população negra.
“O MNU existe para ações e intervenções políticas, atualmente existem avanços de estruturas de debates sobre a juventude negra, lutas por cotas, reparação histórica, entre outras bandeiras. E hoje vejo militantes antigos e a juventude incrível fazendo a política”, enfatiza o fundador.
