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Ensino domiciliar favorece individualidade e liberdade acadêmica, dizem defensores
Ensino domiciliar favorece individualidade e liberdade acadêmica, dizem defensores
Por Isabella Menon/Folhapress
18/05/2022 às 08:09
Atualizado em 18/05/2022 às 08:09
Foto: Arquivo Agência Brasil

Os filhos do servidor público Carlos Vinícius, 43, tinham 8 e 7 anos quando saíram da escola em 2018 e passaram a estudar em casa.
"Percebemos que muitas coisas eram ensinadas de forma equivocada, como conceitos de matemática e as individualidades não eram respeitadas", diz ele que afirma que, na escola, os filhos presenciaram cenas de violência entre colegas.
"Era um ambiente para eles estarem aprendendo mais e não estavam. Entendemos que tínhamos condições de oferecer para eles algo melhor", relata.
O ensino domiciliar é uma pauta histórica de grupos conservadores e religiosos. No ano passado, o governo de Jair Bolsonaro (PL) apresentou o tema como sua a única prioridade da educação no Congresso.
De acordo com a Associação Nacional de Educação Domiciliar, o modelo é praticado por cerca de 15 mil estudantes no Brasil de 4 a 17 anos. A organização afirma que registra um crescimento de 55% ao ano.
Críticos defendem que oficializar a opção fere o direito de frequentar a escola, considerada por eles crucial para a educação integral e para a socialização. Uma pesquisa do Datafolha publicada no sábado (14) aponta que oito em cada dez brasileiros demonstram rejeição a ensino domiciliar.
Para entidades especializadas em educação, o ensino domiciliar é uma medida equivocada e "fora do tempo". É o que diz a ONG Todos Pela Educação que, em nota publicada no site, afirma que educar crianças sob a responsabilidade da família costuma ser defendida por quem afirma que "é um direito dos pais escolherem a educação de seus filhos."
"Entre os defensores, estão aqueles que veem essa prática como protetora de supostas ideologias transmitidas em sala de aula e de possíveis violências escolares", diz a entidade.
A organização analisa ainda que o modelo inibe o pleno desenvolvimento de jovens ao restringir o convívio com crianças e adultos fora do círculo íntimo familiar e promover a ausência de ideias e visões de mundo contraditórias as que são expostas em casa.
"Direcionar recursos públicos, financeiros e de gestão para atender a 0,04% dos estudantes brasileiros evidencia, mais uma vez, que estamos diante de um governo que não tem a melhoria da qualidade do ensino como compromisso de atuação."
Alice Ribeiro, diretora do Movimento pela Base, também afirma que é contrária ao modelo. "A escola tem um papel essencial na formação integral de crianças e adolescentes", diz ela.
"A escola é muito mais do que o lugar de aprendizagem, é de convivência, expansão, é onde o jovem vai conviver com outras visões, outras possibilidades, que o levam para outro ambiente que não o familiar", diz Ribeiro que também aponta que se trata de um modelo defendido por uma parcela mínima da população. "O governo está priorizando 15 mil aluno frente a outros 48 milhões."
