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Pré-candidato do PSOL quer ação judicial contra baiano que zombou de cabelo de pesquisadora

Pré-candidato do PSOL quer ação judicial contra baiano que zombou de cabelo de pesquisadora

Por Redação

28/01/2022 às 20:31

Atualizado em 28/01/2022 às 20:52

Foto: Divulgação / CMS / Arquivo

André Porciúncula reagiu com gargalhada a comentário de assessor especial da Presidência que sugeriu "salão de beleza" para especialista em segurança

O pré-candidato ao governo da Bahia pelo PSOL, Kléber Rosa, disse que provocará os membros da sigla no estado para adotar medidas judiciais no episódio em que secretários do governo Jair Bolsonaro zombaram do cabelo e da aparência da pesquisadora e especialista em segurança pública, Caroline Soares, que concedeu uma entrevista a um jornal da Rede Globo sobre o tema que estuda. Um dos que participaram das chacotas pelas redes sociais foi o secretário nacional de Incentivo à Cultura e capitão da Polícia Militar da Bahia, André Porciúncula, que gargalhou após o assessor especial do presidente Jair Bolsonaro, Tércio Arnaud Tomaz, em postagem nas redes sociais, sugerir um "salão de beleza" à pesquisadora.

"Juro, solenemente, que nunca mais irei rir da legitimidade dos 'especialistas' da Globo. Na próxima vez que eles me arrumarem um militante do PSOL para falar sobre segurança pública, eu tratarei com toda seriedade possível. Não! Espera, é mentira, não aguento não! Hahahahaahhahah", escreveu André Porciúncula, no Twitter, nesta sexta-feira (28). Ele também ironizou, em outras postagens, o fato de o apresentador do Jornal Nacional, Willian Bonner, ter citado negativamente a reação de Porciúncula, com uma gargalhada ao comentário de Tércio Tomaz.

Porciúncula, que foi indicado ao cargo federal pelo vereador de Salvador Alexandre Aleluia (DEM), fez um print da citada postagem no Twitter e a publicou no Instagram. O secretário nacional da Cultura, Mário Frias, e a presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, Bia Kicis (PSL/DF), também reagiram com gargalhadas expressas em emojis à postagem do secretário nacional de Incentivo à Cultura.

"Do ponto de vista legal, precisamos buscar meios de responsabilizar criminalmente essas pessoas. Eu vou provocar o PSOL para que a gente procure a PGR e também outras instâncias do Ministério Publico para responsabilizar essas pessoas por crimes de racismo", disse Kléber Rosa, que sociólogo e policial civil. Ele salientou que também haverá enfrentamento sob viés político, também nas redes sociais. Rosa pontuou que esse tipo de comentário não é novidade em membros do governo Jair Bolsonaro que, segundo ele, "acolhe esses pensamentos neo-fascistas e nazistas que se expressam em racismo, lesbofobia e ódio ao pobre". O psolista também salientou que o vereador Alexandre Aleluia (DEM), que indicou Porciúncula, também teria agredido recentemente a vereadora Laina Crisóstomo (PSOL), durante os debates sobre o Plano de Cultura da capital baiana.

Guerra híbrida

Este Política Livre também ouviu a ex-integrante da Massa do Empoderamento Crespo e presidente do Movimento Negro do PDT em Salvador, Laíse Neres, que apontou caber uma ação na justiça contra os envolvidos no episódio. "Racismo é crime", enfatizou. Laíse Neres, que é professora de Sociologia, destacou que o enfrentamento a estes episódios ocorre num contexto de "guerra híbrida", uma vez que, como destaca, os ataques de membros do governo Bolsonaro a pautas do movimento negro ou LGBTQIA+. "A gente sabe o que permeia ideologicamente esse governo, que é racista, que não respeita as diferenças, que não vê a pauta racial como estrutural e estruturante. É um governo anti-negro", salientou Laíse Neres.

O secretário de Combate ao Racismo do PT na Bahia, Ademário Costa, disse que "não temos nada o que esperar de um governo em que o ministro do turismo [Gilson Machado], um assessor da presidência [Tércio Tomaz], o secretário de direitos autorais e secretário nacional de incentivo à cultura [André Porciúncula] exacerbam todo o seu privilégio de homens brancos". O petista ainda considerou que "fazem isso porque sabem que o patriarcado e a branquitude lhes darão guarida e proteção; é a certeza da impunidade que incentiva a perpetuação e a entronização desse comportamento como política pública de um governo. Esse governo é a direita assumidamente machista, sexista, misógina e LGBTfoóbica que não tem vergonha e gosta de ser o que é".

Citando a zombaria contra a pesquisadora Caroline Soares, a professora de Sociologia Laíse Neres também exemplificou que "o cabelo é visto como metáfora para tratar essas questões raciais. É preciso enfrentar esse enquadramento de ter que se aproximar do padrão branco europeu". Sobre o caso, ele acredita não se tratar de um caso aleatório, mas planejado, dentre desse contexto citado de "guerra híbrida, ideológica e não declarada, que busca cansar as pessoas e suas estruturas. Tudo isso é muito bem orquestrado", aponta a socióloga.

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