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Primeiras eleições em Hong Kong após intervenção da China têm baixa participação

Primeiras eleições em Hong Kong após intervenção da China têm baixa participação

Por Folhapress

19/12/2021 às 11:18

Atualizado em 19/12/2021 às 11:18

Foto: Wu Xiaochu/Xinhua/Arquivo

Eleitoras aguardam na fila para votar em Hong Kong

A poucas horas do fim do horário de votação nas eleições para o Conselho Legislativo de Hong Kong, apenas 25% dos 4,5 milhões de eleitores aptos a votar compareceram às urnas neste domingo (19). A porcentagem, a essa altura, chegava a 39,6% no último pleito, realizado em 2016, quando o regime comunista da China ainda não havia promovido ampla repressão no território semiautônomo.

O resultado de alta abstenção já era projetado. Nem por isso, no entanto, deixa de preocupar Pequim, já que a participação popular é considerada uma régua para aferir legitimidade a uma eleição na qual os candidatos pró-democracia estão ausentes, já que somente aqueles considerados "patriotas" pelo regime chinês puderam se candidatar.

Ao jornal honconguês South China Morning Post a líder do Partido do Povo, conservador, Regina Ip, descreveu o cenário de votação como "extremamente terrível". Ela distribuía panfletos nas ruas da região de Sai Wan na tentativa de acelerar o lento comparecimento eleitoral. "Muitas pessoas viajaram para outros locais com transporte público em vez de votar; os sistemas de transporte estão lotados."

O governo enviou mensagens de texto aos residentes de Hong Kong no sábado (18), pedindo às pessoas que votassem, enquanto alguns opositores apelaram para que as pessoas se ausentassem como forma de protesto à censura e ao controle chineses —ainda que configure crime incitar alguém a não votar no território semiautônomo.

A segurança era massiva nas ruas, com cerca de 10 mil policiais e mais de 40 mil funcionários eleitorais do governo mobilizados. Os resultados da eleição devem ser divulgados nesta segunda-feira (20), noite de domingo no horário de Brasília.

Estas são as primeiras eleições desde que Pequim impôs novas regras em resposta às massivas manifestações pró-democracia que ocuparam as ruas de Hong Kong em 2019. O regime chinês instituiu a Lei de Segurança Nacional, encerrando na prática o regime de autonomia consagrado na chamada Lei Básica, que estipulou a regra de "dois sistemas, um país" —estabelecendo Hong Kong como uma ilha de capitalismo desregulado, Judiciário e imprensa livres.

A repressão avançou, ainda, para o regime eleitoral, que foi reformulado de modo a impedir que candidatos considerados antipatrióticos concorressem. No total, 153 candidatos —a maioria composta por figuras pró-Pequim e elites emergentes de empresas chinesas— disputam 90 assentos no Conselho Legislativo.

Apenas 20 das cadeiras, porém, serão preenchidas com os nomes que receberam mais votos nas eleições diretas. Do restante, 40 assentos serão escolhidos pelo Comitê Eleitoral, grupo de 1.448 membros visto como parte da instrumentalização chinesa na política local e composto quase que totalmente por membros pró-Pequim. Os 30 nomes restantes são escolhidos por representantes comerciais locais.

"O objetivo do governo é garantir alta participação porque, caso contrário, isso poderia deslegitimar a eleição", disse Jean-Pierre Cabestan, professor de ciência política na Universidade Batista de Hong Kong, à agência de notícias Reuters.

John Lee, atual chefe de administração do território semiautônomo —segundo cargo mais alto na hierarquia regional— e ex-secretário de Segurança, instou a população a comparecer argumentando que aqueles que não o fizessem seriam traidores que desejavam assistir ao fracasso das eleições.

Jack Ng, um vendedor de frutas na casa dos 20 anos, disse à Reuters que não participaria de uma eleição que não considerava justa, tampouco democrática. "Não entendo porque [os partidos pró-Pequim] estão fazendo campanha, afinal, com certeza vão ganhar", afirmou. "É um absurdo."

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