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O discurso "paz e amor" de Neto e a missão de ganhar no 1º turno, por Raul Monteiro*

O discurso "paz e amor" de Neto e a missão de ganhar no 1º turno, por Raul Monteiro*

Por Política Livre

23/12/2021 às 08:19

Atualizado em 23/12/2021 às 08:19

Foto: Valter Pontes/Arquivo/Secom

ACM Neto

As declarações do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (DEM) a Mário Kertész, da Rádio Metrópole, na terça-feira, reconhecendo as qualidades do 'ex-amigo' João Roma, ministro da Cidadania do governo Jair Bolsonaro (PL), a quem não se referia em público desde o rompimento entre eles, em fevereiro deste ano, mostra que o democrata é pura determinação para ganhar as eleições ao governo da Bahia em 2022. Trata-se de um discurso "paz e amor" - típico de quem não deseja mais criar arestas desnecessárias em momento decisivo da vida pública -, o qual Neto tem aplicado a todos os contextos políticos em que se move.

Aos poucos, a aliança denominada União Brasil que patrocinou de forma quase silenciosa entre o seu DEM, que ficara diminuto, e o PSL, do qual Bolsonaro se desligou após ganhar as eleições, vai se mostrando um dos grandes lances da política nacional no ano que acaba no próximo dia 31. Sob o seu comando, como secretário-geral, e o do deputado federal Luciano Bivar (PE), seu presidente, a legenda se tornou um avião com o qual praticamente todos os candidatos presidenciais gostariam de poder contar rumo ao próximo ano eleitoral. O ex-juiz Sérgio Moro (Podemos) aposta nela para poder viabilizar sua candidatura à sucessão.

João Dória (PSDB), governador de São Paulo que também sonha dia e noite com o Palácio do Planalto, só aguarda uma manifestação do União Brasil em defesa da candidatura de seu vice, o tucano Rodrigo Garcia, ao governo paulista, para anunciar, em retribuição, o apoio do próprio partido a Neto na Bahia. Ao passo que o ex-presidente petista Lula pode só ainda não ter sacramentando a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin a vice em sua chapa por nutrir também a esperança de que ele consiga se filiar a um partido como o União Brasil, de onde a aliança entre os dois teria muito mais impacto do que se o ex-tucano for, como esperado, para o PSB.

Do time de candidatos ao mais cobiçado cargo da República só não se mencionou o cidadão que ocupa hoje a Presidência. Mas ele também gostaria de obter o apoio da nova agremiação à coligação que pretende liderar na campanha e, por este motivo, apesar de utilizar os filhos como emissários de ameaças com a tese de usar a candidatura de Roma contra a de Neto na Bahia, dá nos bastidores demonstrações no sentido de que ainda não perdeu a esperança de uma aproximação com o ex-prefeito de Salvador. Sob tanta cobiça, de fato, o democrata baiano não precisa brigar com ninguém nem antecipar lances que podem ser decisivos para sua campanha.

Neto prossegue na tática de que é de todo mundo e ao mesmo tempo não é de ninguém, porque sabe que nada tem a ganhar fechando seu palanque para qualquer um dos presidenciáveis que desejam o seu apoio e o da nova sigla que ajudou a criar, com seu tempo de TV e acesso ao Fundo Eleitoral fartos. Na verdade, deve reunir todos os meios possíveis, o que inclui os partidos de seu grupo e outros que puder agregar, para tentar se eleger logo no primeiro turno, sabedor de que, caso passe para o segundo com o senador petista Jaques Wagner, viverá o desafio de não ter com quem se apegar num Estado em que Lula mostra que continua preferido e Bolsonaro rejeitado pelo eleitorado.

* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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