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Guedes diz que dar aumento salarial seria desonra após pedir R$ 2,5 bi para policiais

Guedes diz que dar aumento salarial seria desonra após pedir R$ 2,5 bi para policiais

Por Fábio Pupo/Idiana Tomazelli/Folhapress

17/12/2021 às 20:00

Atualizado em 17/12/2021 às 20:00

Foto: Edu Andrade/Ministério da Economia/Arquivo

O ministro da Economia, Paulo Guedes

O ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou nesta sexta-feira (17) que conceder reajustes a todos os servidores seria uma desonra com as futuras gerações, um dia após ter pedido ao Congresso para reservar R$ 2,5 bilhões para aumentos a policiais a pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Já tem gente querendo desonrar o compromisso com os contemporâneos, falando ‘já tomei minha vacina, me dá meu aumento’. Por enquanto, é uma desonra com os contemporâneos", disse em entrevista de fim de ano à imprensa.

"Se todos tiverem esses aumentos, é uma desonra com as futuras gerações. Aí a inflação vai voltar, vamos mergulhar no passado, vamos nos endividar em bola de neve. Nosso papel é assegurar que isso não aconteça", disse.

A referência às futuras gerações costuma ser usada por Guedes para falar sobre a necessidade de usar os recursos públicos de modo que eles sejam bancados pela população atual, e não se transformem em dívida pública a ser paga pela próxima.

A defesa por reajustes foi encampada por Bolsonaro, que atuou diretamente para garantir a reestruturação de carreiras policiais do governo federal. O movimento deflagrou a pressão de outras categorias, como auditores da Receita Federal.

No último dia 8, em entrevista, o presidente chegou a defender um reajuste amplo, alcançando todas as categorias. Ele disse que a medida seria feita sem estourar o teto de gastos.

"Teria [que ser reajuste de] 3%, 4%, 5%, 2%... Que seja 1%. Essa é a ideia. Porque nós estamos completando aí no meu governo três anos sem reajuste. Agora, o reajuste não é para recompor toda a inflação, porque não temos espaço para isso", disse Bolsonaro em entrevista ao jornal Gazeta do Povo.

Nos cálculos do governo, cada aumento de 1% tem um impacto de R$ 3 bilhões. Um reajuste de 5%, portanto, teria um custo adicional de R$ 15 bilhões em 2022.

O governo estudava ao longo deste ano um reajuste para os servidores, mas devido ao pouco espaço fiscal foi verificado que o reajuste ficaria muito baixo. Então, a escolha foi feita pelo aumento a apenas algumas categorias.

Guedes reconheceu também que há um empobrecimento no país por causa da inflação.

"Alguns vão dizer que o Brasil está mais pobre. Sim, guerras empobrecem", afirmou em entrevista de fim de ano à imprensa.

Apesar disso, ele afirma que a escalada dos preços é um movimento global impulsionado pela inflação e, por isso, não se pode culpar o governo.

"Teve inflação. Sim, em todo o mundo. Salários aposentadorias, aluguéis perderam poder de compra porque houve um choque nas cadeias produtivas globais", disse.

Para ele, ignorar os efeitos da pandemia para avaliar o desempenho do Executivo é uma desonestidade intelectual.

"Existe muita conversa a respeito do populismo fiscal, do desequilíbrio fiscal, da irresponsabilidade fiscal. Fake news", afirmou.

"Onde está o populismo fiscal em um governo que está gastando 19,5% do PIB [Produto Interno Bruto]? Onde está o populismo fiscal num governo com déficit de 1% do PIB?", disse.

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