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Festival de impugnações em eleição do TJ cria "climão" e desgasta candidatura de Carlos Roberto
Festival de impugnações em eleição do TJ cria "climão" e desgasta candidatura de Carlos Roberto
Por Política Livre
16/11/2021 às 12:01
Atualizado em 16/11/2021 às 12:01
Foto: Divulgação/Arquivo

Um festival de impugnações de candidaturas de desembargadores transformou a sucessão na presidência do Tribunal de Justiça do Estado, cujas eleições ocorrem amanhã, num ambiente pesado, com consequências que muitos magistrados prevêem como desastrosas para o relacionamento entre os colegas a partir de agora.
Como foram tomadas por desembargadores que apóiam a candidatura a presidente de Carlos Roberto, as iniciativas acabaram desgastando o postulante, apontado como conivente com as tentativas de impedir a participação de colegas na corrida para os cinco cargos em disputa na mesa diretora do Poder.
A maioria das impugnações foi formulada pelo desembargador Julio Travessa, que, por este motivo, acabou ganhando o apelido de colegas de "impugnador" oficial. Ele tentou bloquear as candidaturas do desembargador Balthazar Miranda aos cinco cargos para os quais inicialmente ele se inscreveu no Tribunal de Justiça.
Como a Corte derrubou os pedidos, resolveu ampliar o grau de divergência e se dirigir então ao Conselho Nacional de Justiça, que também assegurou a Balthazar o direito de concorrer. A insistência de Travessa e, principalmente, a decisão de recorrer ao CNJ acabou deixando Balthazar e os colegas mais próximos dele indignados com sua atitude.
Mas Travessa tentou também atrapalhar os planos eleitorais da colega Márcia Borges, uma das mais respeitadas magistradas baianas. Ela se inscreveu para concorrer à segunda vice-presidência e à Corregedoria da Capital e foi alvejada pelo "impugnador" também nas duas instâncias - o TJ e o Conselho Nacional de Justiça.
Nas duas, ele foi derrotado. Mas no CNJ, onde o conceito de Borges é elevadíssimo, acabou sendo criticado nos bastidores. Outro que resolveu também impugnar os concorrentes foi o desembargador Jatahy Fonseca. Ele também tentou impedir, provocando o TJ, a mesma desembargadora de disputar a Corregedoria da capital, mas foi derrotado.
Também dirigiu ao Tribunal uma impugnação contra a candidatura de Salomão Resedá à Corregedoria da capital, cargo que também tencionava disputar, num dos episódios mais curiosos ocorridos numa eleição já realizada no Tribunal. Durante a sessão em que o pedido foi apreciado, Salomão disse que o colega estava certo ao tentar impugná-lo.
Mas o plenário optou por indeferir a impugnação, garantindo ao impugnado o direito de concorrer. Logo depois, Salomão desistiria da disputa, confirmando as especulações de que fizera um jogo combinado com o próprio Jatahy para o pleito, mesmo passando pelo desgaste provocado pela situação.
