Home
/
Noticias
/
Brasil
/
Presidente do PSDB diz que filiações sob suspeita nas prévias serão analisadas por comissão
Presidente do PSDB diz que filiações sob suspeita nas prévias serão analisadas por comissão
Por Carolina Linhares/Folhapress
27/10/2021 às 10:51
Atualizado em 27/10/2021 às 10:51
Foto: Dida Sampaio/Arquivo/Estadão

O presidente do PSDB, Bruno Araújo, decidiu que a comissão responsável pelas prévias presidenciais irá decidir caso a caso sobre a participação na votação interna de 92 prefeitos e vice-prefeitos paulistas cujas datas de filiação estão sob suspeita.
A disputa está acirrada entre os governadores Eduardo Leite (RS) e João Doria (SP). O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio também concorre, mas sem chances de vitória. A comissão é presidida pelo senador José Aníbal (PSDB-SP).
"A comissão não irá questionar a filiação dos mandatários, mas se estão ou não habilitados a votar. Nos casos em que a comissão decida pela permissão do voto nas prévias, esses farão suas escolhas por meio do aplicativo de celular desenvolvido para a eleição", diz o partido em nota.
A decisão de Araújo ainda será submetida à executiva nacional do partido em reunião nesta quinta-feira (28).
Araújo chegou a decidir vetar a participação desses 92 nomes, segundo o site Antagonista, mas voltou atrás após extensa negociação. Araújo e Doria estão em Dubai, onde trataram do assunto. O Governo de São Paulo participa da feira Expo Dubai.
Entre os tucanos, a avaliação é de que a questão terminará judicializada de qualquer forma e pode colocar as prévias em risco. Membros do partido dizem que o caso é grave e pode levar a acusação de falsidade ideológica.
Na semana passada, diretórios do PSDB do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Ceará, alinhados a Leite, acusaram o diretório paulista, controlado por Doria, de fraudar as datas de filiações desses prefeitos e vices.
As regras das prévias determinam que só filiados até 31 de maio poderiam participar –o PSDB-SP diz que as filiações foram feitas antes do prazo, mas os aliados do governador gaúcho apontam que as fichas foram fraudadas com data retroativa.
Considerando os 92 nomes, o estado de São Paulo tem 365 prefeitos e vices. O total do país para os tucanos é de 1.000. Esse grupo tem peso de 25% na votação interna do partido.
Boa parte desses prefeitos e vices compareceu a um evento de filiação realizado pelo PSDB paulista em julho, quando foram registradas fotos com as fichas de filiação. A imprensa local registrou a migração de partido desses mandatários nessa época.
Em 14 de julho, o PSDB-SP registrou em seu site: "O Diretório estadual do PSDB-SP conta, a partir de agora, com 65 novos prefeitos e vice-prefeitos".
"A partir de hoje, com a filiação de 65 prefeitos e vice-prefeitos superamos mais da metade das cidades do estado de São Paulo com tucanos no poder", disse Marco Vinholi, presidente do PSDB de São Paulo e secretário da gestão Doria, segundo o site do partido.
Vinholi afirma que a festa foi apenas um ato simbólico e que as filiações já tinham acontecido. Na ocasião, porém, ele declarou à Folha de S.Paulo que os novos filiados não estariam aptos a votar nas prévias, o que foi registrado em reportagem.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, publicações de prefeitos em redes sociais mencionam a filiação naquela data. Além disso, um dos mandatários afirmou à reportagem ter assinado a ficha de filiação somente na última sexta (22).
No sistema da Justiça Eleitoral, que é preenchido pelo próprio PSDB paulista, as datas de filiação desse grupo de 92 nomes aparecem entre os meses de março e maio, mas as datas de registro, ou seja, as datas em que o partido lançou as filiações no sistema, estão entre agosto e setembro.
É comum, no entanto, que os partidos não registrem no sistema as filiações na data exata em que acontecem. É isso que argumenta o PSDB paulista, afirmando que a data de registro não deve ser levada em consideração.
Na opinião dos articuladores políticos de Leite, porém, o fato de o PSDB paulista não ter registrado as filiações até 31 de maio, tendo conhecimento das regras das prévias, evidencia que tais filiações não existiam à época.
Eles lembram ainda que, primeiro, o diretório paulista tentou modificar as regras das prévias para incluir esses filiados, algo que chegou a ser discutido em reunião com caciques tucanos. Uma resolução do presidente do partido, contudo, reafirmou a data limite. Então, segundo a tese dos aliados de Leite, é que houve a fraude.
O episódio já gerou desgaste para Doria entre tucanos. Segundo membros do partido ouvidos pela reportagem, a leitura entre filiados é a de que o governador paulista está disposto a ultrapassar limites para vencer o pleito, algo que pesa contra ele.
Na última quinta-feira (21), Doria evitou falar sobre o tema e respondeu a jornalistas que a questão diz respeito ao partido, não a ele. Leite cobrou apuração para que as prévias não fiquem manchadas.
