PEC do 'Conselhão' vai permitir que políticos interfiram no MP, diz Moro
Por Estadão Conteúdo
18/10/2021 às 17:30
Atualizado em 18/10/2021 às 17:30
Foto: Dida Sampaio/Estadão/Arquivo

O ex-juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da extinta força-tarefa da Operação Lava Jato, defendeu nesta segunda-feira, 18, a rejeição da PEC que tenta mudar a composição e as atribuições do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Ele disse que a proposta em tramitação na Câmara dos Deputados vai permitir que políticos ‘interfiram’ no trabalho de promotores e procuradores.
“O promotor precisa de independência para fazer o seu trabalho com autonomia”, afirma em vídeo divulgado redes sociais. “Você acha que o promotor vai ter condições de realizar seu trabalho sem medo de sofrer retaliações ou punições quando ele, por exemplo, investigar uma pessoa poderosa que tiver influência política?”, acrescenta.
O CNMP, ou ‘Conselhão’, é responsável por fiscalizar a conduta de membros do Ministério Público. Além de alterar a composição do colegiado e os critérios para a indicação dos conselheiros, com aumento dos assentos reservados ao Congresso, a proposta apresentada pelo deputado Paulo Teixeira (PT-SP) também alarga a função do órgão. Conforme o texto, em adição à função correcional, o CNMP poderá revisar atos de promotores e procuradores. A previsão abre caminho para anulação de denúncias, pedidos de prisão e condenações fora da via judicial.
“Essa proposta não é boa para o Brasil. Tirar a independência do Ministério Público é desproteger a sociedade, é deixar as vítimas daqueles crimes vulneráveis”, segue Moro. “O Brasil precisa de um Ministério Público forte e independente”.
