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Classe política baiana se diz tensa com atos do 7 de Setembro, mas não acredita em tentativa de golpe de Bolsonaro

Classe política baiana se diz tensa com atos do 7 de Setembro, mas não acredita em tentativa de golpe de Bolsonaro

Por Mateus Soares

06/09/2021 às 11:52

Atualizado em 06/09/2021 às 11:52

Foto: José Dias/PR/Arquivo

Os atos do feriado da Independência despertam tensão entre políticos e autoridades diante da coincidência de data com manifestações da esquerda nas principais capitais

Nesta terça-feira, 7 de Setembro, será celebrado o tradicional Dia da Independência. Porém, este ano, cercado de expectativas diferentes. Este Política Livre resolveu ouvir vereadores, deputados estaduais e federais sobre o feriado, com manifestações a favor e contra o governo do presidente Jair Bolsonaro previstas em todo o país.

As mobilizações ocorrem em meio à tensão política da crise institucional que o país tem enfrentado nas últimas semanas, marcada principalmente por embates entre o presidente da República e o Supremo Tribunal Federal (STF).

As manifestações organizadas por bolsonaristas preocupam opositores com a possibilidade de um golpe administrativo. Já os defensores do presidente querem ir às ruas em defesa da "liberdade de expressão", inflamados com os recentes pedidos de prisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Diante disso, o chefe do Executivo tem apostado no 7 de Setembro como um dia em que pretende fazer uma demonstração da sua força popular.

Em resumo, os atos do feriado da Independência despertam tensão entre políticos e autoridades diante da coincidência de data com manifestações da esquerda nas principais capitais, da eventual presença de policiais armados e da escalada de ameaças golpistas.

Para o vereador Luiz Carlos Suíca (PT), Bolsonaro "sempre causa alguma coisa pra esconder a sua derrota". "Além de esconder os escândalos envolvendo ele e os filhos. Não tem mais a paixão de alguns militares, pois os militares não querem o golpe. Ele tem apoio de poucos PMs e bombeiros irresponsáveis", disse. "Mas o povo não vai se intimidar e vai para às ruas como sempre fez. Não penso que terá conflito, mas terá divisão de espaços em todos os estados", continuou.

A vereadora Laina Crisóstomo, do PSOL, reforçou que não deixará de protestar contra o atual governo "por medo" de embates. "São locais diferentes, no mesmo dia, mas a gente tem um foco e o nosso foco é derrubar Bolsonaro, o nosso foco é pensar nas pessoas, na vida das pessoas, então estaremos nas ruas. Estaremos 'de bonde'. A nossa mandata irá 'de bonde', justamente para mostrar que o nosso foco é outro. O nosso foco é pela vida das pessoas. Para combater esse genocídio que esse Governo Bolsonaro tem implantado como uma política de Estado. Nós não queremos confronto, mas também não deixaremos de ir às ruas por medo dele. A gente quer e vai derrubar Bolsonaro, esse presidente genocida, miliciano, corrupto e violento".

Segundo o vereador Átila do Congo (Patriota), "a situação é tensa, Bolsonaro está apostando todas as suas fichas neste ato e está inflamando os militares do baixo escalão. A situação é bem delicada, vai haver confronto". Já para o seu colega na Câmara Municipal de Salvador (CMS), Daniel Alves (PSDB), "tudo irá ocorrer normalmente, sem nenhum confronto. Bolsonaro está enfraquecido, sem apoio popular para fazer grandes mobilizações. Hoje a expectativa criada em torno das falas dele é muito maior do que de fato acaba acontecendo".

O deputado estadual Marcelinho Veiga (PSB) considerou a convocação de Bolsonaro um ato criminoso contra a Suprema Corte. Para o parlamentar, o presidente da República mantém a sua "característica de afrontar os poderes e a democracia, mas não tem apoio para viabilizar um golpe de estado". "Ele não tem força e está isolado politicamente, ninguém quer comprar a briga dele com o STF. Vai ser mais um tiro no pé para tentar proteger os filhos, alvos de denúncias de corrupção. E o povo vai para as ruas para defender a democracia e contra esse genocídio que Bolsonaro instalou por causa da pandemia", descreveu. Marcelinho frisou que o momento é para denunciar ainda mais os desmandos desse governo. "Acabou com programas importantes para o povo do campo e tem semeado a violência contra os povos tradicionais. É um desgoverno que quer acabar com o país e vender as suas riquezas a preço de banana. Neste 7 de Setembro, o povo vai para as ruas de maneira pacífica, como sempre foi".

Já o deputado estadual Robinho (PP), que recentemente rompeu com o governador Rui Costa (PT), acredita que o ato a favor de Bolsonaro em Brasília será "a maior manifestação de todos os tempos" já ocorrida na capital nacional desde a sua fundação.

"A expectativa que eu tenho é muito grande. Eu estava no Pará, que eu tenho negócios no Pará, e peguei um voo para Brasília, e eu não tinha comprado o retorno, aí quando eu fui ver o retorno para o dia 7, pela tarde e à noite, e no dia 8, praticamente não tinha vaga e os preços absurdos. Eu participo de grupos de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia - claro, e do Pará, e eu vejo uma euforia muito grande. Eu passei em Brasília ontem e vi a movimentação no aeroporto. O que eu acredito é que seja a maior manifestação de todos os tempos que já houve em Brasília, não tenho como calcular o tamanho, a quantidade, mas eu não tenho dúvidas de que vai ser a maior manifestação política que já aconteceu em Brasília desde a sua fundação. Eu não tenho dúvidas com relação a isso. O que vai acontecer depois do dia 7 de Setembro eu não tenho ideia. Eu sei dizer o seguinte: se a manifestação for como o esperado e se o presidente não tomar uma atitude, porque a expectativa da população que está indo, é que o presidente tome uma atitude. Se ele não tomar ele vai cair no descrédito. É o sentimento que tenho visto nas pessoas. Eu fiquei no Pará por quatro dias, e vi o sentimento das pessoas. Eles estão dando a força, o aval e o apoio moral para o presidente mas querem uma atitude dele também. Hoje cedo, eu vi três rodas de pessoas falando que vai dar muita gente. Eu passando ouvi a conversa. Estou vendo uma expectativa de ser um movimento muito grande", contou o pepista.

Já deputado federal Bacelar (Podemos) condenou os atos bolsonaristas. "Acredito que a celebração do Dia da Independência este ano será restrita aos nossos lares. Os brasileiros não irão às ruas em função da pandemia, em função das restrições sanitárias. O confronto e o protesto estão sendo organizados, planejados e incentivados pelo presidente Jair Bolsonaro. Acredito que não terá repercussão a não ser naquele grupo fanático e cada vez menor que segue o presidente e que aposta num confronto, que aposta numa guerra cultural, que aposta num ataque às instituições para encobrir as mazelas de um governo que não controla a inflação, que não governa, que não tem um programa e que ataca as instituições democráticas diariamente".

O deputado federal Valmir Assunção (PT) disse, a este Política Livre, que o presidente Jair Bolsonaro está com uma "estratégia de proteção aos filhos por causa da quantidade de denúncias de corrupção". "É uma estratégia de proteção dos filhos, pelo motivo das 'rachadinhas' e envolvimento com corrupção. Então, a qualquer momento os filhos podem ser presos. Isso é fato. Outra coisa, Bolsonaro ataca os poderes e ataca a democracia, mas a população está chegando ao entendimento que ele é um fanfarrão. Por ele ser um fanfarrão, minha expectativa do dia 7 é que vai ter o 'Grito dos Excluídos' em todo o Brasil, Bolsonaro vai tentar, mais uma vez, desgastar as instituições. E o que vai acontecer é um afastamento maior ainda dele com o outros poderes. Isso é o que vai ficar nítido para a sociedade brasileira", previu o petista.

À reportagem, a deputada federal Lídice da Mata (PSB) contou que o presidente "está em busca de um conflito, pois sabe que é o principal culpado das mais de 580 mil mortes por Covid-19, da crise econômica que gera inflação e do desemprego". "Aí busca criar fatos para desestabilizar o país o tempo inteiro. Não vamos entrar nesse jogo, pois o nosso objetivo é garantir o cumprimento da Constituição e da democracia", acrescentou.

Diante da eminência de confusão, o deputado federal Adolfo Viana (PSDB) pregou o "respeito" entre o espaço do outro. "A Independência do Brasil é uma das principais datas do nosso calendário. A minha expectativa é de que o povo brasileiro comemore este momento de forma segura e pacífica, dentro dos limites da nossa Constituição. Se as pessoas respeitarem o espaço do outro, não haverá confronto. O Brasil é muito grande e tem espaço para todos se manifestarem como querem. O que queremos é unir o povo brasileiro e não segregar. O respeito ao pensamento diferente faz parte da democracia e culmina justamente com nossa independência".

A opinião do tucano foi compartilhada pelo deputado federal Cacá Leão (PP). "Eu acho que vai haver uma manifestação muito grande. Acho que muita gente vai às ruas comemorar o 7 de Setembro, mas a gente espera que elas sejam pacíficas e de amor à Pátria, que é o que simboliza o dia. Que ninguém procure briga com ninguém. Que todos respeitem os poderes. Essa é a nossa expectativa para o dia", torceu o parlamentar, filho do vice-governador da Bahia, João Leão (PP).

O presidente já anunciou que estará presente na manifestação em Brasília, pela manhã, na Esplanada dos Ministérios, e em São Paulo, à tarde, na Avenida Paulista. Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o seu principal adversário, já adiantou que não fará parte dos atos contra o atual governo.

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