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Governador de Nova York renuncia após denúncias de assédio sexual

Governador de Nova York renuncia após denúncias de assédio sexual

Por Folhapress

10/08/2021 às 16:42

Atualizado em 10/08/2021 às 16:42

Foto: Mary Altaffer/AFP/Folhapress

O governador de Nova York, Andrew Cuomo

Pressionado por membros de seu partido e por um possível processo de impeachment, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, 63, renunciou ao cargo nesta terça-feira (10). O anúncio foi feito uma semana após virem a público os resultados de uma ampla investigação contra ele sobre assédio sexual.

Em um discurso de 20 minutos, transmitido ao vivo, o democrata voltou a negar que tenha cometido quaisquer crimes, embora tenha dito que aceita "total responsabilidade" por ter ofendido mulheres em meio ao que caracteriza como tentativas malsucedidas de ser afetuoso.

Cuomo servia desde 2011 como governador do quarto estado mais populoso dos Estados Unidos. Na última terça-feira (3), a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, divulgou os resultados de um inquérito de cinco meses que concluiu que o político assediou sexualmente 11 mulheres e violou leis estaduais e federais enquanto criava um “clima de medo” no ambiente de trabalho.

A investigação revelou que o democrata apalpou, beijou e abraçou mulheres sem seu consentimento e fez comentários inapropriados em conversas com elas. Diversas autoridades, inclusive o presidente Joe Biden, manifestaram-se publicamente dizendo que Cuomo deveria renunciar.

No domingo (8), uma das principais assessoras do governador, Melissa DeRosa, também renunciou. O nome dela foi mencionado 187 vezes no relatório de 168 páginas preparado pela procuradoria-geral do estado. DeRosa teria participado dos esforços para encobrir as ações de Cuomo e retaliar uma de suas acusadoras.

Durante o pronunciamento desta terça, o governador disse ter concluído que lutar contra as investigações enquanto permanece no cargo paralisaria o governo estadual em um momento delicado, quando a pandemia ainda ameaça o país com o avanço da variante delta do coronavírus e a hesitação vacinal.

"Dadas as circunstâncias, a melhor maneira de ajudar é me afastar e deixar o governo", disse ele. A renúncia entra em vigor em 14 dias.

A saída de Cuomo marca a segunda vez em 13 anos que um governador do estado de Nova York renuncia ao cargo em meio a um escândalo —em 2008, Eliot Spitzer renunciou após vir à tona seu envolvimento com uma rede de prostituição de luxo.

Cuomo viu-se pressionado por membros de seu próprio partido e também estava prestes a ser cassado pelo legislativo estadual. A Assembleia do estado de Nova York trabalhava em investigações próprias para abrir um processo de impeachment do governador.

Um dia após a divulgação do relatório com o resultado das investigações, pesquisa do instituto Marist mostrou que 59% dos moradores do estado defendiam a renúncia do governador. Outros 32% disseram que ele deveria cumprir o mandato, e 9% disseram estar inseguros para responder. Entre os democratas, 52% eram a favor da renúncia.

O escândalo vira a página de uma trajetória bem-sucedida, ao menos aos olhos da opinião pública, de Cuomo. Em 2020, o democrata surfou em índices de aprovação por sua conduta no combate à pandemia, que contrapunha o negacionismo do republicano Donald Trump, então à frente da Presidência.

Com discurso técnico e transparente, o governador de Nova York virou o rosto do combate à crise e chegou a ser sondado como possível candidato democrata à Presidência dos EUA, ainda que negasse estar "fazendo política" ao impor medidas consistentes de combate ao avanço da Covid-19 no estado.

Nascido em Nova York, ele começou a carreira política como conselheiro de campanha de seu pai, o político Mario Cuomo, que também foi governador de Nova York por três mandatos, de 1983 a 1994. A família tem atuação pública em diferentes áreas —o irmão de Cuomo, Chris, é âncora da emissora CNN.

Depois de um tempo atuando como promotor e advogado, Cuomo ingressou no governo do presidente Bill Clinton e tornou-se secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Serviu ainda como procurador-geral de Nova York, até que foi eleito para o governo do estado em 2010.

Pouco após o anúncio da renúncia nesta terça, autoridades começaram a se manifestar. Em uma rede social, o prefeito da cidade de Nova York, o também democrata Bill de Blasio, disse que o episódio é resultado de sobreviventes que contaram corajosamente suas históricas —em referência às mulheres que denunciaram Cuomo. "Já era hora de Andrew Cuomo renunciar para o bem de toda Nova York".

Já a advogada de Cuomo, Rita Glavin, alegou em um vídeo que o relatório da procuradoria-geral errou. "Omitiu as principais evidências e não incluiu testemunhas cujo depoimento não apoiaria a narrativa que, estava claro, esse relatório defenderia desde o primeiro dia".

Com a saída do democrata, Nova York terá a primeira mulher à frente do governo estadual. A vice-governadora Kathy Hochul, 62, assumirá o cargo até o fim de 2022, quando deveria ser encerrado o mandato de Cuomo caso ele não tivesse renunciado ou não fosse impedido pelo legislativo.

Advogada de formação, ela trabalhou com questões ligadas a gênero, inclusive com uma campanha para combater justamente o assédio sexual nas universidades americanas. Diante das acusações enfrentadas por Cuomo, se manifestou prontamente.

Poucas horas após os resultados da investigação tornarem-se públicos, escreveu em uma rede social: "Assédio sexual é inaceitável em qualquer ambiente de trabalho, especialmente no serviço público. A investigação da procuradora-geral documentou comportamentos repulsivos e ilegais do governador contra uma série de mulheres. Eu acredito nessas mulheres e admiro sua coragem de seguir em frente".

A renúncia, porém, não isenta Cuomo das acusações. A depender do curso das investigações, ele ainda pode responder nas esferas civil e criminal. Cinco procuradores já indicaram que investigariam dentro de seus distritos o comportamento do governador, segundo informações do jornal The New York Times.

Além das acusações de assédio sexual, que ganharam maior amplitude e apelo popular, Cuomo também é investigado por outros supostos crimes. Pesam contra ele e sua equipe acusações de ter fornecido dados subnotificados sobre mortes de idosos em asilos em meio à pandemia de Covid, e promotores também investigam se o governador teria facilitado o acesso de sua família a resultados de testes de coronavírus no início da crise sanitária.

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