/

Home

/

Noticias

/

Brasil

/

Após 'perder' meta de 2021, BC vê projeção de inflação para 2022 se distanciar do alvo

Após 'perder' meta de 2021, BC vê projeção de inflação para 2022 se distanciar do alvo

Por Fabrício de Castro/Estadão

16/08/2021 às 10:41

Atualizado em 16/08/2021 às 12:08

Foto: André Dusek/Arquivo/Estadão

Banco Central

Após "perder" a meta de inflação para 2021, o Banco Central já começa a ver as projeções do mercado financeiro para o IPCA - o índice oficial de preços - se distanciarem também do alvo para 2022. Em meio aos choques mais recentes de preços, o índice calculado pelos economistas de bancos e corretoras para o próximo ano já está em 3,90%, acima dos 3,50% do centro da meta do BC. Foi a quarta semana consecutiva em que as projeções do mercado aumentaram.

Os índices constam do Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, 16. O documento é uma compilação das projeções do mercado para os principais indicadores da economia brasileira.

Apesar de os economistas já calcularem uma inflação de 3,90% para o próximo ano, o BC manteve, na semana passada, a projeção de que o IPCA será de apenas 3,50% - exatamente o centro da meta a ser atingida pela instituição.

Este aparente descompasso entre as projeções do BC e do mercado financeiro surge na esteira de erros recorrentes da própria autarquia ao projetar a inflação de curto prazo no Brasil nos últimos meses. Como mostrou o Estadão/Broadcast na semana passada, desde o início do segundo semestre de 2020, quando a alta das commodities no mercado internacional passou a impulsionar os preços de alimentos no Brasil, o BC vem errando seguidamente, para baixo, suas projeções de inflação de curto prazo.

De julho de 2020 a julho de 2021, o BC subestimou a inflação em suas projeções em 9 dos 13 meses considerados. No episódio mais recente, calculou uma inflação de apenas 0,39% em julho, enquanto o IBGE revelou uma taxa de 0,96% - mais que o dobro - na semana passada.

Em eventos públicos também na semana passada, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e o diretor de Política Monetária, Bruno Serra, reconheceram que a instituição se surpreendeu com a inflação de curto prazo mais recentemente. De acordo com Campos Neto, existe hoje um processo de revisão de expectativas de curto prazo que começou a contaminar o longo prazo.

Na terça-feira, 10, Serra defendeu que o BC e o mercado estão fazendo projeções “razoavelmente” parecidas e que elas não têm necessariamente que convergir. “Fomos reavaliando (a inflação), assim como o mercado, porque os choques foram mais persistentes que imaginávamos. O movimento do BC foi alinhado com as expectativas do mercado. Está todo mundo vendo a mesma coisa”, disse.

Os dados desta segunda-feira do Focus, porém, mostram que o mercado já vê uma inflação se descolando novamente da meta, desta vez no ano de 2022. Para 2021, tanto o mercado quanto o BC já estimam um descumprimento da meta. Enquanto a projeção do BC é de inflação de 6,5% para este ano - número reafirmado na semana passada -, o mercado financeiro projeta inflação de 7,02%. Este porcentual é quase o dobro da meta perseguida pelo BC para este ano, de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo.

As pressões sobre a inflação no Brasil se intensificaram a partir do segundo semestre do ano passado, com a alta de produtos como soja e milho no mercado internacional, na esteira da pandemia de covid-19. Além do avanço nos preços de alimentos, os brasileiros passaram a enfrentar ainda em 2020 reajustes nos combustíveis, com impactos crescentes sobre o IPCA. Mais recentemente, a alta nos preços de energia, as geadas em várias regiões do País e o reaquecimento do setor de serviços após o período mais crítico da pandemia passaram a dar força à inflação.

Se por um lado a inflação pressiona o orçamento das famílias, por outro a recuperação de longo prazo do Produto Interno Bruto (PIB) ainda é contida. Após despencar 4,1% em 2020, na esteira da pandemia, o PIB deve crescer 5,28% em 2021, pelas projeções do mercado financeiro. Para 2022, o mercado projeta uma alta do PIB de apenas 2,04%.

Comentários
Importante: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião do Política Livre
politica livre
O POLÍTICA LIVRE é o mais completo site sobre política da Bahia, que revela os bastidores da política baiana e permite uma visão completa sobre a vida política do Estado e do Brasil.
CONTATO
(71) 9-8801-0190
SIGA-NOS
© Copyright Política Livre. All Rights Reserved

Design by NVGO

Nós utilizamos cookies para aprimorar e personalizar a sua experiência em nosso site. Ao continuar navegando, você concorda em contribuir para os dados estatísticos de melhoria. Conheça nossa Política de Privacidade e consulte nossa Política de Cookies.