Depoimento superficial de Teich mostra limitações da CPI da Covid
Por Folhapress
06/05/2021 às 06:32
Atualizado em 06/05/2021 às 06:32
Foto: José Dias/PR

No segundo dia de depoimentos na CPI da Covid no Senado, o ex-ministro da Saúde Nelson Teich afirmou ter pedido demissão do governo Jair Bolsonaro em maio de 2020 por não ter tido autonomia à frente do ministério, situação que ficou mais evidente com as divergências com o presidente em torno da cloroquina.
Em depoimento de cerca de seis horas dado à comissão nesta quarta-feira (5), Teich evitou críticas abertas a Bolsonaro, ao contrário do que fez seu antecessor na Saúde, Luiz Henrique Mandetta, no dia anterior.
Veja abaixo quatro pontos do depoimento.
Teich permaneceu apenas 29 dias no cargo, entre abril e maio de 2020, optando pelo pedido de demissão por não contar com “autonomia” e “liderança” diante do combate à pandemia.
"[As razões da minha saída] se devem, basicamente, à constatação de que eu não teria a autonomia e a liderança que imaginava indispensáveis ao exercício do cargo", disse.
"Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação às divergências com o governo quanto à eficácia e extensão do uso do medicamento cloroquina para o tratamento da Covid-19”, afirmou Teich em seu depoimento.
“Enquanto a minha convicção pessoal, baseada em estudos, era de que naquele momento não existia evidência de sua eficácia para liberar [o uso da cloroquina], existia um entendimento diferente por parte do presidente, que era amparado na opinião de outros profissionais, até do Conselho Federal de Medicina, que, naquele momento, autorizou a extensão do uso."
Teich foi questionado pelos senadores da CPI se houve um fato específico que teria sido a gota d’água para a sua demissão. Respondeu que foi uma sequência de falas do presidente.
Na primeira fala, Bolsonaro disse que o ministro da Saúde precisava estar afinado com o presidente. Depois afirmou a empresários que seria necessário expandir o uso da hidroxicloroquina.
“À noite, tem uma live, onde ele [Bolsonaro] coloca que espera que, no dia seguinte, vá acontecer isto, que vai ter uma expansão do uso. E aí, no dia seguinte, eu peço a minha exoneração”, afirmou Teich.
O ex-ministro criticou uma incompatibilidade que, segundo ele, foi criada pelo governo federal, envolvendo economia e saúde. Bolsonaro mantém discurso desde o início da pandemia em oposição a políticas de distanciamento social para não afetar a atividade econômica.
“Quando você discute distanciamento, você não está discutindo distanciamento de dinheiro ou em liberar a economia, você está falando da vida das pessoas. Esse é que foi o grande problema que eu achei. A gente tratou economia como dinheiro e saúde como vida, mas é uma coisa só”, afirmou Teich.
