Home
/
Noticias
/
Bahia
/
Comissão de Direitos Humanos da Assembleia recebe denúncia de racismo em concurso de beleza internacional
Comissão de Direitos Humanos da Assembleia recebe denúncia de racismo em concurso de beleza internacional
Por Redação
19/05/2021 às 21:15
Atualizado em 19/05/2021 às 21:15
Foto: Adson Brito

O deputado estadual Jacó (PT) recebeu na última segunda-feira (17), em seu gabinete, a modelo Thásilla Brandão, 18 anos, acompanhada da mãe, Joseane Brandão, e do advogado Marinho Soares. A visita teve como objetivo denunciar o crime de racismo, do qual Thásilla teria sido vítima por parte da organização brasileira do Miss Teen Earth International.
Concurso de beleza internacional, o Miss Teen Earth tem como público-alvo adolescentes. É o caso de Thásilla, estudante, que se preparou durante três anos e investiu mais de R$ 20 mil entre viagens e diárias em hotel em São Paulo, roupas, maquiagem, fotos, ensaios e cursos. Desclassificada na reta final, ela ficou em 3° lugar. A mãe ainda não se conformou com o resultado.
"Ficamos abismados, ela (Thásilla) sempre estava se sobressaindo, jurados e concorrentes comentavam. Foi a única na prova de oratória a falar em dois idiomas, o que lhe daria a vaga para representar o Brasil na etapa internacional. Esperamos que o concurso se retrate. E precisamos abrir os olhos das pessoas para empresas fiéis, sem preconceito ou racismo", diz Joseane.
"Eu quero influenciar outras meninas negras, quero que outras pessoas olhem para mim e pensem 'ela conseguiu, então eu posso'. Sim, você pode, basta acreditar". Este foi o discurso feito em inglês e português que, segundo Thásilla, lhe tirou pontos e "destruiu" um sonho.
Em gravação aleatória obtida pela mãe, o coordenador da etapa brasileira do Miss Teen Earth, Lizioneto Santos, justificou a desclassificação: "Quando você fala isso, está defendendo uma causa, ótimo, defenda, isso é muito bom, mas ela na posição de miss vai ter que defender todas as raças".
Thásilla sustenta que encarou a disputa na condição de "representante das meninas negras não só da Bahia, mas do Brasil". O advogado da família, Marinho Soares, entrou com uma ação na justiça pedindo reparação por danos materiais e morais.
Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Bahia, o deputado Jacó garantiu que o caso não ficará impune e colocou seu mandato à disposição.
"Vamos acionar a Comissão de Direitos Humanos e a de Promoção da Igualdade da Assembleia porque não podemos aceitar que nenhum cidadão ou cidadã baiana sofram qualquer tipo de racismo. É lamentável e repudiamos com veemência. Vamos divulgar o nome desse concurso para que outras mães não caiam na mesma armadilha", afirmou.
