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EUA citam ataques de Bolsonaro contra imprensa em relatório de direitos humanos
EUA citam ataques de Bolsonaro contra imprensa em relatório de direitos humanos
Por Manoella Smith e Patricia Pamplona/Folhapress
31/03/2021 às 07:18
Atualizado em 31/03/2021 às 07:18
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O relatório anual sobre Direitos Humanos dos Estados Unidos, divulgado nesta terça-feira (30) pelo Departamento de Estado americano, levantou uma série de preocupações sobre o Brasil, um dos quase 200 países analisados pelo documento que destaca um quadro de deterioração para os direitos humanos em todo o mundo no ano passado.
No caso brasileiro, as citações vão desde "assassinatos ilegais ou arbitrários cometidos pela polícia" e "atos generalizados e corrupção" até "violência contra jornalistaO documento destacou os ataques feitos contra jornalistas pelo mandatário, citando um relatório do Repórteres Sem Fronteira que diz que o presidente criticou a imprensa, verbalmente ou em redes sociais, 53 vezes no primeiro semestre de 2020.
Uma das investidas citadas foi a resposta dada a um repórter, em agosto de 2020, que questionava sobre os depósitos de Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro. O presidente respondeu: "A vontade é encher tua boca com porrada, tá?"
O ex-assessor de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e sua mulher repassaram R$ 89 mil para a conta de Michelle. Inicialmente, o presidente rebateu o jornalista do jornal O Globo perguntando sobre os supostos repasses mensais feitos pelo doleiro Dario Messer à família Marinho, proprietária da Rede Globo.
Segundo a revista Veja, em depoimento no dia 24 de junho, Messer disse que realizou repasses de dólares em espécie aos Marinhos em várias ocasiões a partir dos anos 1990. A família nega qualquer irregularidade.
Após a insistência do repórter sobre os pagamentos à primeira-dama, Bolsonaro afirmou ter vontade de agredi-lo.
Sobre a cobertura presidencial, o relatório americano falou ainda, especificamente, sobre as entrevistas em frente ao Palácio do Alvorada. “Vários jornalistas foram submetidos a agressões verbais [...] levando uma coalizão de organizações da sociedade civil a abrir um processo civil contra o governo por não proteger os jornalistas naquele local."
O texto lembra a decisão da Folha e de outros veículos de suspender a cobertura na residência oficial por falta de segurança, com hostilizações frequentes de apoiadores do presidente, o que levou o governo a adotar "medidas adicionais para manter os jornalistas separados dos civis reunidos do lado de fora", diz o relatório.
Além dos ataques à imprensa, o documento cita ações diretas de Bolsonaro outras duas vezes. Primeiro, menciona o decreto assinado para políticas de ensino a crianças com deficiência, com a observação de que “a política pode resultar em menos opções de escolaridade" para esses jovens. Em dezembro, o STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu a medida.
E ainda menciona as ações adotadas pelo governo federal contra a Covid-19 nas comunidades indígenas —mas ressalta que "líderes indígenas fizeram declarações públicas enfatizando que muito poucos desses recursos foram entregues às suas comunidades”.s" —esta última, diretamente relacionada ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
