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Intervenção na Petrobras derrete indicadores financeiros do Brasil

Intervenção na Petrobras derrete indicadores financeiros do Brasil

Por Folhapress

22/02/2021 às 12:35

Atualizado em 22/02/2021 às 12:35

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Intervenção na Petrobras derrete indicadores financeiros do Brasil

Os principais indicadores financeiros do Brasil têm forte deterioração nesta segunda-feira (22), após Jair Bolsonaro (sem partido) interferir no comando da Petrobras e sinalizar outras mudanças em estatais, contaminando as ações de todas as empresas do governo na Bolsa de Valores brasileira.

Na sexta (19), Bolsonaro indicou o general Joaquim Silva e Luna como novo presidente da petroleira. Se confirmado pelo conselho de administração da companhia, ele substituirá Roberto Castello Branco, alvo de críticas do presidente.

No sábado (20), Bolsonaro disse que vai "meter o dedo na energia elétrica", e que, "se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, na semana que vem teremos mais".

"A expectativa é de ingerência em outras estatais. A expectativa do mercado é que André Brandão [presidente do Banco do Brasil] seja demitido", diz André Machado, sócio-fundador da escola de traders Projeto os 10%.

Assim como Castello Branco, Brandão também foi alvo de críticas do presidente. Em janeiro deste ano, ele foi ameaçado de demissão por Bolsonaro após atritos com relação à reestruturação do banco.

As ações do Banco do Brasil caem 11,18%, a R$ 28,98 cada, por volta de 11h45.

O Ibovespa, principal índice acionário do país, cai 5%, a 112.466 pontos, menor patamar desde 3 de dezembro.

O dólar sobe 2,60%, a R$ 5,5240. Na máxima do pregão, foi a R$ 5,53. O turismo está a R$ 5,68.

Nesta fim de semana, a Necton elevou a projeção do dólar ao fim de 2021 de R$ 5,30 para R$ 5,50.

O risco-país medido pelo CDS de cinco anos sobe 14,28% a 186 pontos.

O CDS funciona como um termômetro informal da confiança dos investidores em relação a economias, especialmente as emergentes. Se o indicador sobe, é um sinal de que os investidores temem o futuro financeiro do país, se ele cai, o recado é o inverso: sinaliza aumento da confiança em relação à capacidade de o país saldar suas dívidas.

Em um sinal de aversão a risco do mercado e de alta da Selic no curto prazo, os juros futuros operam em alta.

Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos. São a principal referência para o custo de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro.

O juro para outubro de 2023 foi de 6% na sexta (19) para 6,16% no momento. A taxa para de julho de 2025 foi de 6,91% para 7,19%.

Segundo analistas, a intervenção de Bolsonaro fortalece a perspectiva de alta da Selic em março – atualmente a taxa está na mínima recorde de 2%.

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